Uma média de 300 pessoas por dia têm atravessado de volta aos vilarejos próximos à fronteira na província de Dara’a, Jordânia, afirmou porta-voz do ACNUR.

Grupo de refugiados sírios espera em um abrigo logo depois de cruzar a fronteira com a Jordânia. O ACNUR está preocupado com a segurança das pessoas que têm retornado à Síria neste momento. Foto: ACNUR/ N.Daoud
A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) afirmou que, desde o começo de abril, um crescente número de refugiados sírios têm optado por deixar a Jordânia e voltar para casa, apesar da continuidade do conflito na Síria.
“Durante este período, uma média de 300 pessoas por dia têm atravessado de volta aos vilarejos próximos à fronteira na província de Dara’a”, disse a porta-voz do ACNUR, Melissa Fleming, a jornalistas em Genebra. “Uma parte considerável desta província continua sendo um campo de batalha e o ACNUR teme pela segurança dos retornados, cuja grande maioria é composta por famílias”, acrescentou.
As razões para retornar são diversas, incluindo a melhoria da segurança em uma série de vilarejos fronteiriços, a salvaguarda de propriedades, a reunião com membros da família na Síria ou viagens para buscar membros vulneráveis da família.
Ainda assim, o número de refugiados recém-chegados continua sendo bem maior que os poucos retornados, com uma média de 2 mil pessoas diariamente cruzando a fronteira da Jordânia. Todos os dias há recém-chegados feridos. O número total de refugiados sírios que voltaram espontaneamente é inferior a 1% do número total dos que chegaram ao país vizinho.
Apesar de o número de retornados ter sido relativamente pequeno, Fleming disse que o ACNUR está “muito preocupado que os refugiados estejam retornando para áreas arruinadas pela escassez de alimentos, falta de combustível e eletricidade e com serviços limitados”.
“A situação de segurança é instável, com relatos de projéteis de artilharia e morteiros sendo lançados em vilarejos em que os refugiados estão tentando reivindicar suas casas e viver”, acrescentou.
Escassez de serviços e itens básicos
Além dos retornados, centenas de milhares de civis no sul da Síria lutam para sobreviver. Alimentos básicos como pão são muitas vezes escassos, enquanto a saúde e a educação estão frequentemente indisponíveis. “Se as condições não melhorarem, será impossível para muitos permanecerem lá”, ressaltou Fleming.
O governo da Jordânia calcula que neste mês o número de refugiados sírios ultrapasse 500 mil. Estima-se que o fluxo incessante de refugiados seguindo para a Jordânia continue, se as condições não melhorarem dentro da Síria.
“O ACNUR não promove ou facilita esses retornos, estamos alertando os refugiados que desejam voltar sobre as condições que enfrentarão. Fazemos missões regulares à fronteira”, disse Fleming em Genebra. O ACNUR está trabalhando com as autoridades da Jordânia para garantir que todos os refugiados tenham acesso à sua documentação caso tomem a decisão de retornar à Síria.
Enquanto isso o ACNUR tem monitorado 3.900 pessoas que retornaram do Iraque ano passado, principalmente do campo Al Qaim, na província de Anbar, para Abu Kamal, na Síria.
A situação em Abu Kamal é instável, com bombardeios e conflitos na província. As principais razões dadas pelos refugiados para voltar ao país são a falta de liberdade de movimento em Al Qaim, oportunidades limitadas de subsistência e relatos encorajadores sobre a segurança.
Motivos para voltar variam
“Estamos monitorando a situação de perto e providenciando aconselhamento individual para retornados em potencial a fim de garantir que eles tomem uma decisão esclarecida, entendendo as possíveis consequências de seu retorno”, disse Fleming.
Ela acrescentou que o ACNUR fornece regularmente suporte técnico nas repatriações voluntárias da Turquia, fazendo o acompanhamento das entrevistas conduzidas por autoridades turcas, para resguardar a natureza voluntária do retorno.
Mais de 97 mil sírios retornaram desde março de 2011. O ACNUR conseguiu realizar 13 mil entrevistas referentes a mais de 24 mil pessoas.
Cerca de metade dos retornados afirmou que estava voltando para a Síria temporariamente para verificar suas casas ou comparecer a funerais. Alguns disseram que estavam retornando motivados por relatos sobre uma possível melhora nas condições de segurança.
Assista abaixo ao chamado de cinco chefes de agências da ONU sobre a crise na Síria:
Saiba mais em www.onu.org.br/siria