Agência de refugiados da ONU pede que Arábia Saudita interrompa deportação de somalis

Agência da ONU para Refugiados considera deportações incompatíveis com diretrizes das Nações Unidas sobre necessidade de proteção internacional de refugiados somalis e de requerentes de asilo.

A Agência de Refugiados das Nações Unidas pediu nesta sexta-feira (30) que a Arábia Saudita suspenda a deportação de refugiados somalis e requerentes de asilo em decorrência do conflito que atinge a capital da Somália, Mogadíscio, onde dezenas de civis foram mortos em confrontos esta semana.

Em junho, mais de mil somalis se deslocaram para a Arábia Saudita, de acordo com relatos a partir de Mogadíscio, declarou Melissa Fleming, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).

Até agora, neste mês, outros 1.000 somalis deverão ser forçados a regressar ao seu país de origem. Os relatórios de acompanhamento indicam que a maioria dos deportados dizem que fugiram da Somália devido ao conflito, à violência indiscriminada e às violações dos direitos humanos, sendo a maioria proveniente das regiões do sul e central da Somália, incluindo a capital.

A maioria daqueles que estão sendo enviados de volta da Arábia Saudita são mulheres, incluindo uma jovem que foi detida em seu caminho para um mercado de Mogadíscio e deportada com seus dois filhos. “ACNUR considera tais deportações incompatíveis com as diretrizes de nossa Agência no que diz respeito às necessidades de proteção internacional dos refugiados somalis e dos requerentes de asilo”, declarou Fleming. “Dada a violência letal na capital somali Mogadíscio, o ACNUR está incitando as autoridades sauditas que suspendam as deportações futuras por razões humanitárias”.

A Porta-voz disse que a agência está em contato com autoridades sauditas para dar início a um processo conjunto de avaliação, antes que as decisões de expulsão sejam tomadas, caracterizando-a como “uma medida de incentivo”. O ACNUR tem apelado aos governos para fornecer proteção a civis somalis que fogem da violência e de graves abusos dos direitos humanos no seu país. “Retornos involuntários às regiões central e sul da Somália, sob as condições atuais de segurança e humanitária no país, colocam as pessoas em risco”. 

Os combates entre forças governamentais e as milícias Al-Shabaab em Mogadíscio tirou a vida de dezenas de civis, aumentando na última semana. A violência também levou muitas pessoas a deixar suas casas. O ACNUR lamentou nesta sexta-feira (3) a continuação da luta indiscriminada na região conhecida como Chifre da África, incluindo muitas vezes alvos civis e residências em bairros densamente povoados da capital.

Mais de 300 mil dos 1,4 milhão de pessoas deslocadas internamente (IDP), de uma população total de quase 8 milhões, estão abrigadas em Mogadíscio. A maioria dos deslocados vivem em condições precárias em locais improvisados nas regiões sul e central da Somália.

Os acontecimentos desta semana, declarou o ACNUR, destacam a importância de avaliar os pedidos de asilo de pessoas provenientes da área, no sentido mais amplo possível. “Se o estatuto de refugiado não for concedido, o ACNUR aconselha os governos a ampliar as formas complementares de proteção internacional, o que permitiria a somalis uma residência legal, até que as condições melhorarem para um retorno seguro”, declarou Fleming.