Este ano, até 30 de abril, foram 150 mortes relacionadas à doença no Haiti. Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) disseram que a campanha pretende vacinar 400 mil pessoas em 2016.

Governo do Haiti lançou campanha de vacinação contra cólera que pretende atingir 400 mil pessoas em 2016. Foto: ONU
Duas agências das Nações Unidas anunciaram na semana passada (25) que estão apoiando o governo do Haiti em uma campanha de vacinação contra o cólera que pretende atingir 400 mil pessoas em 2016.
Em comunicado à imprensa, a Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH) disse que o Ministério de Saúde Pública e População do Haiti está recebendo apoio da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
A primeira fase da campanha, que tem como objetivo fornecer duas doses de vacina oral para cerca de 118 mil pessoas durante os meses de maio e junho, foi lançada em 11 de maio na cidade de Arcahaie, cerca de 30 minutos ao norte da capital Porto Príncipe. De acordo com a OPAS/OMS, a vacina oferece proteção que varia de três a cinco anos.
A segunda fase da campanha de vacinação está prevista para o segundo semestre e, para ser bem sucedida, cerca de 563.785 doses adicionais serão necessárias.
Do orçamento inicial previsto de cerca de 3,6 milhões de dólares, mais de 20% do total para o biênio de 2015/16, já foi aprovado. Segundo o programa de assuntos civis da MINUSTAH, são 17 Projetos de Intervenção Rápida (PIR), dez em implementação e sete aprovados, que devem atingir mais de 220 mil beneficiários em sete dos dez departamentos do país.
Os 17 projetos aprovados ou em implantação no primeiro trimestre de 2016 somam cerca de 845 mil dólares. Destes, três totalizam cerca de 152 mil dólares, e lidam com reformas ou ampliações de centros de saúde nos departamentos Centro-Oeste e Grande Enseada.
Os outros 14 projetos referem-se à construção, renovação ou ampliação de sistemas de água potável. No maior deles, na Vila Solidariedade, no departamento Oeste, espera-se garantir água potável para cerca de 75 mil beneficiários.
Devido ao aumento da população, a MINUSTAH enfatizou a importância do aumento do acesso à água potável e ao saneamento em áreas expostas para evitar a epidemia de cólera e outras doenças diarreicas transmitidas pela água.
No período que compreende o início do ano até 30 de abril, o Ministério de Saúde Pública e População do Haiti informou 13.859 casos suspeitos e 150 mortes relacionadas com à doença.
De acordo com especialistas da OPAS/OMS e do UNICEF, a extrema vulnerabilidade persiste em muitas áreas do país e surtos podem ser desencadeados em qualquer departamento, muitas vezes devido a deslocamentos internos, assim como devido à acentuada escassez de água provocada por três anos de seca, o que pode forçar as pessoas a utilizar água não potável.
Outros fatores externos também podem colaborar com epidemias, como chuvas fortes, localizadas e de curta duração, e a situação política do país, uma vez que a instabilidade pode reduzir a capacidade de resposta do governo.
Em campanhas anteriores contra o cólera, 285.534 pessoas foram vacinadas — 102.250 em 2013 e 183.284 em 2014.