Agências da ONU discutem dinâmicas da população no planejamento urbano e na prevenção de desastres

A necessidade de mais planejamento urbano para reduzir os riscos é um dos temas do seminário internacional organizado por UNFPA, UN HABITAT e UNISDR no Rio de Janeiro

A América Latina, com tês em cada quatro pessoas vivendo em cidades, é a região mais urbanizada e metropolizada do mundo em desenvolvimento. O Brasil concentra mais de 35% do total da população urbana da América Latina e 15 das 47 metrópoles da região. O rápido e caótico crescimento urbano ocorrido nas últimas décadas na região tem sido acompanhado por uma proliferação de assentamentos informais, com pouca infraestrutura, carência de transporte, de saneamento e de serviços públicos, determinando a exclusão e segregação de grupos de pessoas aglomeradas nas periferias pobres das cidades, em áreas perigosas e moradias precárias.

A população vivendo em favelas na América Latina e no Caribe foi estimada em 106 milhões em 2005. A alta concentração e más condições de vida nessas áreas estão associados à uma maior vulnerabilidade a desastres naturais.

A América Latina e o Caribe é a segunda região, depois da Ásia, com a maior média anual de desastres, com um alto impacto humanitário e econômico. No período entre 1970 e 2010, a região experimentou uma média anual de 4,5 milhões de pessoas afetadas e perdas estimadas em um total de 160 bilhões de dólares, como resultado de inundações, deslizamentos e terremotos, entre outros.

Para analisar os vínculos entre esses processos, acontece hoje e amanhã no Rio de Janeiro (Brasil), o seminário “Dinâmicas Populacionais, Processos de Urbanização e o Risco de Desastres”. O evento, uma iniciativa do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em conjunto com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (UN Habitat) e da Estratégia Internacional para Redução de Desastres das Nações Unidas (UNISDR), reúne governos locais, universidades e especialistas do Brasil e 12 outros países com o objetivo de debater sobre a natureza complexa e multidisciplinar destas dinâmicas de forma integrada.

“Deve-se planejar para que o crescimento previsto possa ser acomodado no espaço da forma mais eficiente e equitativa possível. Qualquer proposta deve estabelecer locais seguros e adequados para habitação de baixa renda”, disse Marcela Suazo, Diretora para América Latina e Caribe do UNFPA, durante a mesa de abertura, nesta segunda-feira, no Hotel Othon Copacabana.

Erik Vittrup, Oficial Senior do UN Habitat, chama a atenção para o crescimento da população urbana nas cidades médias e pequenas, que são aquelas que terão de enfrentar o desafio de garantir cidades mais seguras e resilientes e convoca para “reforçar a liderança e capacidade dos governos locais e emponderar os cidadãos a ‘aprender a viver com o risco’ de uma maneira sustentável”.

Marcela Suazo acrescentou que “não só o futuro crescimento demográfico da população será urbano, mas incidirá sobre os setores pobres da cidade.”

Para Ricardo Mena, chefe do Escritório Regional do UNISDR, o “risco de desastres se constrói socialmente, portanto, está intimamente ligado aos processos de desenvolvimento, mesmo ao incorporar a variável de risco que contribui com a criação de condições de maior vulnerabilidade”.

Fernando Lyrio, Assessor Extraordinário do Ministério do Meio Ambiente do Brasil para o Rio +20, destacou a necessidade de repensar o modelo de desenvolvimento com o objetivo de construir uma visão distinta, envolvendo diferentes áreas, tendo em conta o caráter transversal do tema de desenvolvimento sustentável. “Este é um esforço do governo brasileiro para pensar sobre o que aconteceu 20 anos após a Conferência do Rio sobre Desenvolvimento Sustentável, em que estas questões, debatidas hoje, já haviam sido reconhecidos como essenciais”. Marcela Suazo acrescentou que “as dinâmicas da população não podem ser deixadas de fora dos fóruns de discussão da Rio +20, e que o desenvolvimento sustentável tem a ver com pessoas, com a dívida das gerações de hoje com as gerações futuras.”

Para mais informações: Ulisses Lacava, UNFPA Brasil (+5561 9181.1000), bigaton@unfpa.org.