Agências da ONU promovem aleitamento materno para proteger bebês afetados por tufão nas Filipinas

Estima-se que 12 mil bebês nasceram em novembro nas áreas mais afetadas pelo Haiyan. Crianças devem receber exclusivamente leite materno, evitando fórmulas que podem estar contaminadas.

Jhana amamentando a filha em Tacloban. Foto: UNICEF/Kent Page

Agências das Nações Unidas estão promovendo o aleitamento materno nas Filipinas para evitar que os bebês fiquem doentes ou venham a falecer por causa dos estragos do tufão Haiyan, que atingiu o país em 8 de novembro.

“A estimativa é de que 12 mil bebês nasçam este mês [novembro] nas áreas mais afetadas e precisem ser exclusivamente amamentados, o que significa que eles não devem receber nada além do leite materno, que os protege de infecções potencialmente fatais”, afirmaram o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) em um comunicado conjunto divulgado na quinta-feira (28).

Segundo as agências, cerca de um terço dos bebês menores de seis meses de idade nascidos na região antes do desastre já são exclusivamente amamentados e nove em cada dez foram pelo menos parcialmente amamentado antes da emergência. As mães que estavam amamentando parcialmente precisam receber ajuda para fazer a transição para o aleitamento materno exclusivo.

Durante situações de emergência, as taxas de doenças e mortalidade entre bebês e crianças são maiores do que em qualquer outro grupo etário, observaram o UNICEF e a OMS. Bebês que tomam fórmula feita com água contaminada por germes ou que estão em contato com garrafas não esterilizadas podem ter diarreia e morrer em questão de horas.

“Alimentar bebês com fórmula em situações de emergência só deve ser considerado como um último recurso, quando outras opções mais seguras – como ajudar as mães que não amamentam a reiniciar o aleitamento, encontrar uma ama de leite ou leite materno pasteurizado de um banco de leite materno – foram totalmente exploradas”, afirmaram.

O UNICEF e a OMS pediram que todos os envolvidos no financiamento, planejamento e execução da resposta emergencial às Filipinas evitem doenças e mortes desnecessárias por meio da promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Os líderes comunitários devem monitorar e reportar quaisquer ações que venham a comprometer a amamentação.

Cercca de 14,4 milhões de pessoas foram afetadas pelo tufão, que também deslocou aproximadamente 3,6 milhões de filipinos. Atualmente, as maiores necessidades incluem ajuda alimentar e o acesso à água potável, abrigo e recuperação de meios de subsistência.

Enquanto isso, as equipes médicas organizadas pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) começaram a prestar serviços de saúde reprodutiva para grávidas e mulheres que tiveram filhos recentemente e estão nos centros de recepção para os desabrigados pelo tufão.

As primeiras missões médicas partiram em 26 de novembro para os dois maiores centros de Tacloban, onde 44 mulheres grávidas e 33 mães que estão amamentando receberam cuidados. Cada uma delas teve seus sinais vitais testados, recebeu uma consulta ginecológica e um teste para detectar possíveis infecções. As mulheres grávidas fizeram exames de pré-natal, incluindo ultrassom.

Apesar de todas as instalações médicas de Tacloban terem sido fortemente danificadas pelos fortes ventos do tufão e o aumento das marés, algumas delas já reabriram e são capazes de fornecer serviços de saúde seguros, incluindo cesarianas.

Segundo o UNFPA, há cerca de 230 mil mulheres grávidas entre os milhões afetados pelo tufão. Quase 900 partos estão sendo realizados diariamente, com cerca de 130 experimentando complicações potencialmente fatais.