Agências da ONU querem levar assistência para 1,7 milhão de pessoas que passam fome na Somália

UNICEF e Programa Mundial de Alimentos estão disponibilizando recursos de emergência para atender a população do norte do país, afetado por severa estiagem. Nações Unidas fizeram apelo por 105 milhões de dólares para ajudar povo da Somália.

Quase 2 milhões de pessoas são afetadas pela seca em regiões do norte da Somália. Foto: PMA / Petterik Wiggers

Quase 2 milhões de pessoas são afetadas pela seca em regiões do norte da Somália. Foto: PMA / Petterik Wiggers

Em meio a uma severa estiagem que acomete o norte do Somália, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) informaram na segunda-feira (11) que estão ampliando seus esforços nas regiões da Somalilândia e na Puntlândia. Nessas áreas, 385 mil pessoas precisam de assistência imediata e outras 1,3 milhão estão à beira de uma crise alimentar ainda mais grave.

“As comunidades passaram por quatro estações chuvosas fracas e sua habilidade para lidar com a seca foi prolongada até o limite”, disse o representante do UNICEF para o país, Steven Lauwerier. A atual estiagem foi agravada pelo fenômeno climático El Niño.

Segundo relatos, mortes por má nutrição teriam sido registradas em Awdal, região próxima à fronteira com a Etiópia.

Provisões de emergência foram pré-posicionadas em hospitais regionais e instalações de saúde e liberadas para parceiros. Em Puntlândia, o UNICEF disponibilizou 500 caixas de biscoitos de alta carga calórica (BP-5). Na Somalilândia, o PMA forneceu para o Ministério da Saúde 15 mil caixas de alimentos terapêuticos prontos para ingestão.

A ONU fez um apelo de 105 milhões de dólares à comunidade internacional para levar assistência humanitária e meios de subsistência a cerca de 1,7 milhão de somalis nas duas regiões. A maioria desse contingente é de pastores e agricultores que representam três quartos da população da Somalilândia e da Puntlândia.

O PMA já levou assistência alimentar e suporte nutricional para 147 mil pessoas nas áreas mais afetadas pela estiagem. O Programa continua a fornecer comida tanto na forma de doações diretas de alimentos, quanto através de sistemas de transferência de renda.

O UNICEF está fortalecendo seus serviços a nível comunitário, enviando equipes móveis de saúde e nutrição para conseguir alcançar grupos de pastores e outras comunidades. Crianças mal nutridas receberão assistência de saúde primária, que incluirá intervenções emergenciais de imunização.

O Fundo da ONU também está fornecendo a 50 mil famílias acesso à água potável através de um sistema de ‘vouchers’. O Fundo já consertou sete poços.

Gestantes, lactantes e crianças pequenas são prioridade

Juntas, as duas agências prestaram assistência especializada para prevenir e tratar a má nutrição em mulheres grávidas, em fase de amamentação e crianças mais novas. Com seus pacotes de ajuda, os organismos querem ajudar comunidades a aprimorar suas condições de higiene e saneamento, além de oferecer alimentos e cuidados médicos.

“Nossos esforços coordenados são necessários agora para salvar as vidas de dezenas de milhares de crianças e suas famílias. Qualquer demora da comunidade internacional colocará suas vidas ainda mais em risco de fome e doença”, disse Lauwerier,

“O povo da Somália conhece bem os perigos da seca, mas uma seca não tem que significar um desastre. O mundo tem que reconhecer que nós podemos salvar vidas se agirmos a tempo”, afirmou o diretor nacional do PMA, Laurent Bukera.

As duas agências estão atuando também para impedir o abandono escolar das crianças do país, prevenindo riscos de separação da família, trabalho e casamento infantis. Muitos grupos são forçados a migrar devido à falta de recursos, o que acentua as chances de os jovens deixarem os centros de ensino.