UNICEF afirma que crianças estão sendo capturadas, feridas e correm risco de testemunhar cenas traumáticas. Com um repórter morto e mais de 30 feridos, UNESCO pede proteção aos profissionais.

Protesto em Kiev em dezembro de 2013. Foto: Alexandra (Nessa) Gnatoush/ Flickr.com/nessa_flame
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) registrou crescente preocupação com o impacto da violência sobre as crianças ucranianas e suas famílias. “Há relatos de crianças que estão sendo capturadas e até mesmo feridas na violência em Kiev [capital do país]”, afirma comunicado emitido nesta quinta-feira (20).
“O UNICEF está buscando informações para confirmar esses relatos e está acompanhando de perto a situação uma vez que ela afeta as crianças”, acrescenta a nota. “Todas as partes envolvidas têm a responsabilidade de manter as crianças fora de perigo.”
Ainda de acordo com o Fundo, as crianças são especialmente vulneráveis também pelos efeitos traumáticos de testemunhar atos violentos. “Entre outras ameaças ao seu bem-estar, as crianças podem ser separadas de seus pais em meio ao caos, e os serviços básicos para as crianças podem ficar comprometidos”, explica o UNICEF ao destacar que escolas já foram fechadas e o acesso aos serviços de saúde está mais difícil nas áreas afetadas.
UNESCO condena morte de jornalista e violência contra profissionais de mídia
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) condenou também nesta quinta-feira a morte do jornalista ucraniano Vyacheslav Veremyi e pediu que a segurança de todos os profissionais de mídia no país seja garantida.
Correspondente para o jornal ucraniano Vesti, Veremyi foi arrastado para fora de um táxi e baleado por sujeitos não identificados no dia 18 de fevereiro. Ele morreu no hospital no dia seguinte.
No mesmo dia, mais de 30 profissionais de mídia foram feridos em incidentes violentos pelo país e, ao longo da semana, dezenas de pessoas – entre elas, jornalistas, policiais e manifestantes – foram mortas na capital.
A diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, pediu respeito pelo direito dos profissionais de mídia de relatarem notícias, mesmo em “situações de turbulência interna”, e apelou às autoridades por investigação e julgamento dos responsáveis.
A violência no país também despertou a preocupação do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e da alta comissária da ONU para os direitos humanos, Navi Pillay, que pediram a todos os lados que exercitem moderação e encontrem uma solução pacífica para a crise.