Agências da ONU sofrem com escassez de recursos na Mauritânia e no Malauí

Programa Mundial de Alimentos (PMA) e UNICEF pedem contribuições financeiras para seus projetos na Mauritânia, onde mais de 450 mil pessoas sofrem com a insegurança alimentar; ACNUR também busca financiamento para auxiliar moçambicanos que seguem ao Malauí fugindo de conflitos em seu país.

Agências da ONU alertam para agravamento da crise alimentar na Mauritânia

Agências da ONU alertam para agravamento da crise alimentar na Mauritânia

Duas agências das Nações Unidas pediram na segunda-feira (14) mais contribuições financeiras para seu trabalho na Mauritânia, onde mais de 450 mil pessoas sofrem com a insegurança alimentar.

A falta de recursos está ameaçando a capacidade do Programa Mundial de Alimentos (PMA) de fornecer assistência essencial para muitas das famílias mais vulneráveis. A agência suspendeu a distribuição de merendas escolares em dezembro, deixando mais de 150 mil crianças sem garantia de uma refeição diária.

“Tememos que a antecipada falta de recursos nos force a fazer mais cortes na assistência, com um impacto potencialmente devastador sobre a segurança alimentar das famílias mais pobres”, disse o diretor do PMA no país, Janne Suvanto, em comunicado à imprensa.

Ele declarou que devido ao atual problema de financiamento, nenhuma atividade assistencial está sendo feita em áreas vulneráveis de Brakna e Hodh El Gharbi, completando que 21 milhões de dólares são necessários para apoiar as atividades do PMA até agosto.

Em junho de 2015, a prevalência de subnutrição severa na Mauritânia era de 14%, maior índice desde 2012.

No ano passado, 80% dos centros de saúde na Mauritânia apoiados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) adotaram métodos de nutrição intensiva. Um total de 18,3 mil crianças sofrendo de desnutrição severa foi admitido e tratado nesses locais.

“A situação nutricional piorou na Mauritânia durante 2015”, disse o representante do UNICEF no país, Souleymane Diabaté, alertando que o número de crianças afetadas por má-nutrição deve aumentar ainda mais este ano, uma situação que demanda financiamento adicional de 2 milhões de dólares.

“Nossa assistência conjunta é vital para famílias vulneráveis”, disse Suvanto, pedindo mais ajuda financeira.

Refugiados moçambicanos no Malauí

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) elogiou nesta terça-feira (15) a decisão do governo do Malauí de reabrir um antigo campo de refugiados para ajudar no recebimento do crescente número de pessoas que fogem de conflitos internos em Moçambique.

A decisão foi anunciada na sexta-feira (11) e envolve a reabertura do campo de Luwani, que abrigou refugiados moçambicanos durante a guerra civil de 1977-1992 e foi fechado em 2007.

Localizado no Malauí a 65 km da fronteira com Moçambique, o campo de Luwani tem mais de 160 hectares de espaço, incluindo florestas.

“Os refugiados terão melhores instalações e serviços, incluindo de saúde, educação, água e proteção e, principalmente, será mais seguro”, disse o porta-voz do ACNUR, Leo Dobbs, a jornalistas em Genebra, completando que o campo de Kapise, localizado a 5 km da fronteira, será usado principalmente como uma unidade de trânsito.

Até o momento, 9,6 mil pessoas foram registradas pelos funcionários do ACNUR e do governo chegando ao Malauí de Moçambique. Incluindo os que esperam registro, o total é de 11,5 mil. A média de chegadas diárias subiu de 130 em fevereiro para 250 pessoas atualmente.

Moçambicanos que chegaram mais cedo neste ano disseram fugir de ataques mortíferos em seus vilarejos. Os mais recentes afirmaram escapar por medo de confrontos entre forças do governo e da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), principal grupo opositor, que pretende tomar o controle de seis províncias no Norte do país.

A falta de financiamento é um problema enfrentado pelo ACNUR, que precisa de cerca de 1,8 milhão de dólares para atender necessidades imediatas, e mais recursos para lidar com o crescente número de refugiados.

O Malauí também abriga cerca de 25 mil refugiados –a maior parte deles da região africana dos Grandes Lagos e do Nordeste africano– no campo de Dzaleka, a cerca de 50 km da capital Lilongwe. O local está lotado, e há racionamento de comida desde outubro, uma vez que os recursos para auxiliar os refugiados são limitados.