Pessoas comeram as sementes para não morrer de fome. Trabalhadores do campo estão vendendo ferramentas e animais desesperadamente e perdendo meios de subsistência por causa do conflito no país.

Crianças esperam permissão para coletar grãos que caíram da entrega de suprimentos do Programa Mundial de Alimentos feita por aviões. Foto: ONU/Eskinder Debebe
A República Centro-Africana (RCA) está enfrentando uma crise alimentar, alertou a ONU nesta segunda-feira (16) pedindo medidas para apoiar os agricultores. Cerca de 1,29 milhão de pessoas, ou 40% da população rural, precisa de assistência urgente.
As sementes estão em falta porque a população teve de comê-las para não morrer de fome e por causa dos saques. A produção agrícola está diminuindo dramaticamente desde dezembro de 2012, o que é muito problemático para um país cuja agricultura equivale a 53% do produto interno bruto.
“Agricultores desesperados têm vendido ferramentas e animais para que possam alimentar suas famílias, o que os deixa sem meios de subsistência”, afirmou que a diretora de Emergência e Reabilitação da Organização da ONU para Alimentação e Agricultura (FAO), Dominique Burgeon.
Segundo a FAO, por causa dos desafios para alcançar famílias de agricultores afetados, os esforços devem começar agora para ajudá-los a se preparar para a época de plantio de 2014. O plantio do milho, que é o principal alimento da região, está previsto para o início de março no centro e sul do país, enquanto o plantio de sorgo e milheto deve começar em maio no norte.
“O aumento das operações de paz no país prevê a criação de condições favoráveis para que os agricultores possam voltar aos seus campos”, disse o representante regional da FAO para a África, Bukar Tijani, sobre a decisão do Conselho de Segurança da ONU de enviar forças de paz lideradas por africanos e apoiadas por franceses para acabar com a violência no país.
Os conflitos iniciados no ano passado já mataram milhares de pessoas e obrigaram mais de meio milhão a deixar suas casas.