As doações chegam a 1,3 bilhão de dólares, mas é preciso dobrar esse valor. De acordo com o ACNUR, existem 875 mil somalis refugiados na região.
“Ainda existem muitas vidas a serem salvas no Chifre da África”, disse a Subsecretária-Geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Valerie Amos, após concluir visita de três dias ao Quênia e a Somália. Ela reforçou o pedido para que a comunidade internacional aumente os recursos da ajuda aos países atingidos pela crise humanitária no Chifre da África. As doações chegam a 1,3 bilhão de dólares, mas é preciso dobrar esse valor.
“Nós demonstramos o quanto pode ser feito quando as agências de ajuda humanitária recebem os recursos necessários e podem ir aonde é preciso ir”, disse Amos durante entrevista coletiva concedida na quarta-feira (17/08). “Refeições são fornecidas todos os dias para quase 100 mil pessoas e meio milhão é atendido com água potável, um recurso crucial para prevenir a contaminação por cólera e outras doenças”.
Ela informou também que uma campanha para a vacinação emergencial contra o sarampo está em curso, com a expectativa de beneficiar 88 mil crianças e 46 mil mulheres.
Mas mesmo com esses esforços, para Amos está claro que só em Mogadíscio, capital da Somália, a inanição vai matar muitas outras pessoas caso os esforços não sejam ampliados. Países vizinhos e em condições humanitárias semelhantes já estão sobrecarregados. “Apesar do Quênia e da Etiópia também enfrentarem o impacto da seca em suas próprias comunidades, eles estão recebendo centenas de milhares de refugiados somalis que buscam proteção da fome e dos conflitos. As pessoas agora vivem em campos vastos, mas lotados.”
De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), existem 875 mil somalis refugiados em países vizinhos à Somália. Quênia, Iêmen, Etiópia e Djibuti hospedam mais de 90% deles. Cerca de 1,5 milhão de Somalis estão internamente deslocados, a maioria na região centro sul do país.