Milhões de empregos na região da Ásia e do Pacífico foram colocados em risco devido a conflitos comerciais, apesar de um acordo recente entre Estados Unidos e China de não agravar tarifas retaliatórias, segundo novo relatório regional das Nações Unidas.
O documento destacou que as tensões comerciais já tiveram um grande impacto na região, resultando em perturbações às cadeias existentes de fornecimento e prejudicando investimentos.

Milhões de empregos na região da Ásia e do Pacífico foram colocados em risco devido a conflitos comerciais, apesar de um acordo recente entre Estados Unidos e China de não agravar tarifas retaliatórias, segundo novo relatório regional das Nações Unidas.
O Relatório de Comércio e Investimento Ásia-Pacífico 2018, lançado pelo braço de desenvolvimento da ONU na região, a Comissão Econômica e Social para Ásia e Pacífico (ESCAP, na sigla em inglês), sugere que um agravamento na “guerra tarifária” e queda resultante da confiança no próximo ano podem cortar quase 400 bilhões de dólares da economia global, reduzindo o PIB regional em 117 bilhões de dólares.
“À medida que mudanças de produção acontecem e recursos são realocados entre setores e fronteiras por conta dos conflitos comerciais, dezenas de milhões de trabalhadores podem ter seus empregos deslocados e serem forçados a buscar novos empregos”, disse Mia Mikic, chefe da Divisão de Comércio, Investimento e Inovação da ESCAP.
O relatório também destacou que tensões comerciais já tiveram um grande impacto, resultando em perturbações às cadeias existentes de fornecimento e prejudicando investimentos. O crescimento comercial desacelerou após o primeiro semestre de 2018 e fluxos de investimento estrangeiro direto (IED) para a região também devem manter tendência de baixa no ano que vem, seguindo uma queda geral de 4% neste ano.
Em tal cenário, investimentos regionais serão essenciais para criar novas oportunidades econômicas, afirmou Mikic, acrescentando que “políticas complementares” como trabalho, educação e medidas de proteção social devem ser colocadas como prioridade das agendas políticas.
Isto também é essencial para garantir progresso na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), afirmou.
A ESCAP também pediu para países aproveitarem ao máximo todas as iniciativas existentes para fortalecer a cooperação regional, incluindo um novo tratado da ONU sobre digitalização de procedimentos comerciais e possibilidade de comércio sem papel entre fronteiras na região.
Guerra comercial não tem vencedores
O relatório também destacou que nem a China nem os Estados Unidos podem vencer uma “guerra comercial”, explicando que “ambos terão perdas econômicas significativas com o conflito”.
O documento também ressalta que a implementação de acordos comerciais mega-regionais, como a Parceria Econômica Regional Abrangente, entre a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e seus seis parceiros – Austrália, China, Índia, Japão, Nova Zelândia e Coreia do Sul – pode compensar grande parte das perdas econômicas decorrentes de tensões comerciais.
O relatório de 2018 estima que implementação de tais acordos pode impulsionar exportações de 1,3% para 2,9% e gerar 3,5 milhões a 12,5 milhões de empregos na Ásia-Pacífico.
A ESCAP é a maior entre as comissões regionais da ONU. Seus 53 Estados-membros e nove membros associados alcançam uma área geográfica da Ilha de Tuvalu, no leste, à Turquia, no oeste, e da Rússia, no norte, à Nova Zelândia, no sul. A região é lar de cerca de dois terços da população mundial.
Além dos países na região da Ásia e do Pacífico, a ESCAP também inclui França, Holanda, Reino Unido e os Estados Unidos.