Alta Comissária da ONU pede inquérito sobre situação dos direitos humanos na Coreia do Norte

Sobreviventes de prisões políticas relatam tortura, estupro, trabalho escravo, além de falta de alimentos, assistência médica e roupas adequadas.

Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay. UN Photo/Paulo FilgueirasA Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, condenou nesta segunda-feira (14) a “deplorável” situação dos direitos humanos na Coreia do Norte. Também pediu que a comunidade internacional abra um inquérito sobre crimes graves que têm sido persistentes no país há décadas.

No mês passado, Pillay se reuniu com dois sobreviventes de campos de prisão política do país, onde acredita-se estar mais de 200 mil pessoas. Os sobreviventes descreveram as duras condições em que os prisioneiros vivem, incluindo tortura, estupro, trabalho escravo e outras formas de punição coletiva. Também faltam e alimentos, assistência médica e roupas adequadas.

“Eles descreveram um sistema que representa a própria antítese das normas internacionais de direitos humanos”, relatou Pillay, enfatizando a importância de se obter acesso ao país, uma vez que o pouco que se sabe são relatos dos que conseguiram escapar.

A Alta Comissária também citou o caso de uma pessoa que ela encontrou que nasceu e passou os primeiros 23 anos de vida em um campo, onde não só foi torturada e submetida a trabalhos forçados, mas, aos 14 anos, também foi obrigada a assistir à execução de sua mãe e seu irmão.

Pillay pediu à comunidade internacional que dê um “passo muito mais firme” no sentido de encontrar a verdade sobre a elaborada rede de campos de prisioneiros, e pressione a Coreia do Norte a levar mudanças para os seus 20 milhões de cidadãos.