Em cinco dias de protestos, dezenas de pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas. ACNUDH tem recebido relatos de violência sexual extrema em praça pública.
A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu nesta terça-feira (29) que todas as partes no Egito cessem o uso de força excessiva e resolvam suas diferenças por meio do diálogo. O apelo foi feito após cinco dias de protestos que resultaram em dezenas de mortes e mais de mil feridos, o que levou o Governo a declarar estado de emergência e toque de recolher por 30 dias nos distritos de Ismailia, Suez e Porto Said.
“Como os trágicos acontecimentos ao longo dos últimos dias têm mostrado, o Egito continua extremamente frágil e instável, eu peço ao Governo para fazer um esforço muito maior para acomodar pontos de vista opostos e tomar ações concretas para responder às preocupações públicas”, declarou Pillay.
“Isto é necessário para aumentar a participação nacional e a propriedade nas reformas constitucionais, institucionais, econômicas e jurídicas. Cada oportunidade perdida para chegar a um consenso nacional, e cada exemplo de uso excessivo da força pelas forças de segurança, está agravando uma situação que já é assustadoramente tensa e volátil”, acrescentou.
As manifestações contra o presidente Mohammed Morsi coincidiram com o segundo aniversário da revolução egípcia, quando os protestos em massa derrubaram o então presidente Hosni Mubarak e levaram a um período de transição no país, parte de um movimento conhecido como Primavera Árabe.
Além dos mortos e feridos, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) recebeu relatos de cerca de 25 manifestantes do sexo feminino que foram agredidas sexualmente na Praça Tahrir, no centro do Cairo, ao longo dos últimos dias, em alguns casos com violência extrema.
“Houve uma série de incidentes bem divulgados de agressão sexual na Tahrir ao longo dos últimos 18 meses”, observou Pillay. “Lamento o fato de permitirem que a violência sexual ocorra com aparente impunidade em praça pública, e que as autoridades não consigam evitar esses ataques ou trazer mais de um único processo contra as centenas de homens envolvidos nestes ataques brutais.”