Ambiente geral no Burundi ‘não era propício’ para processo eleitoral confiável, afirma ONU

De acordo com a Missão de Observação Eleitoral das Nações Unidas no país, violência foi uma constante durante todo processo eleitoral e liberdades essenciais não foram preservadas.

Em conformidade com o seu mandato, a MENUB observa o processo eleitoral no Burundi, antes, durante e depois das eleições de 2015. Foto: MENUB

Em conformidade com o seu mandato, a MENUB observa o processo eleitoral no Burundi, antes, durante e depois das eleições de 2015. Foto: MENUB

Apesar da eleição de 21 de julho no Burundi, que elegeu o presidente Pierre Nkurunziza para um controverso terceiro mandato, ter sido relativamente pacífica e realizada de forma adequada, o ambiente geral “não era propício” para um processo eleitoral inclusivo, livre e confiável”, anunciou nesta segunda-feira (27) a Missão de Observação Eleitoral das Nações Unidas no país (MENUB).

Esta foi a principal conclusão das análises preliminares da MENUB sobre o desenrolar das eleições presidenciais no Burundi, que ocorreu depois de dois adiamentos em um ambiente de “profunda desconfiança” entre campos opostos políticos. A decisão do presidente em exercício a concorrer a outro mandato gerou uma crise política e socioeconômica profunda.

“A decisão do Tribunal Constitucional sobre a admissibilidade da candidatura do presidente para um terceiro mandato não resolveu o problema político mais amplo sobre os limites do mandato presidencial no Burundi, mas sim agravou ainda mais a controvérsia, os protestos e as tensões”, explicou a Missão em um comunicado.

Liberdades de expressão, reunião e associação, condições essenciais para o exercício efetivo do direito de voto, permaneceram gravemente comprometidas. “A violência, embora observada em um grau menos intenso do que durante o período que precedeu a as eleições de 29 de junho [legislativas e municipais], continuou como uma característica infeliz de todo o processo”.