América Latina e o Caribe adotam instrumento regional para harmonizar pesquisas de uso do tempo

A ferramenta permite obter uma visão integral das atividades que as pessoas realizam e do tempo dedicado a elas, incluindo o trabalho doméstico e os cuidados não remunerados. A coleta de dados facilitará a formulação de políticas de igualdade de gênero.

Soluções inovadoras são necessárias para atender as demandas da população, que é cada vez mais urbana. Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

A ferramenta contabilizará o uso do tempo na América Latina, tomando em conta as tarefas domésticas e de cuidados não remunerados Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

A recém-aprovada Classificação de Atividades de Uso do Tempo para a América Latina e o Caribe (CAUTAL) permite obter uma visão integral e ordenada das atividades que as pessoas realizam e do tempo que dedicam a cada uma delas, oferecendo desta maneira insumos e evidências para a formulação de políticas públicas de igualdade de gênero.

Esta ferramenta para o planejamento, processamento, apresentação e análise das pesquisas de uso do tempo foi adotada durante a Oitava Reunião da Conferência Estatística das Américas (CEA) da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), que teve lugar em Quito, Equador, de 17 a 19 de novembro de 2015.

A CAUTAL é o resultado de uma extensa atividade do Grupo de Trabalho sobre Estatísticas de Gênero da CEA, liderado pelo Instituto Nacional de Estatística e Geografia do México (INEGI) com o apoio da CEPAL, ONU Mulheres e Instituto Nacional das Mulheres do México, e responde à necessidade dos países da América Latina e do Caribe de contar com um instrumento com enfoque de gênero e adequado ao contexto regional que permita a harmonização e padronização das pesquisas de uso do tempo.

O Grupo de Trabalho é integrado por Argentina, Bahamas, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Panamá, República Dominicana e Venezuela.

Nos últimos anos aumentou a coleta de informação sobre este tema na América Latina, a tal ponto que hoje 18 países da região contam com ao menos uma medição do uso do tempo destinado ao trabalho doméstico e de cuidados não remunerado.

“A divisão sexual do trabalho que hoje impera nas sociedades da América Latina se mantém como fator estrutural das desigualdades e injustiças que afetam as mulheres no âmbito da família, do mercado de trabalho e da participação política, motivo pelo qual é imprescindível contar com instrumentos de medição que permitam observar a distribuição das tarefas necessárias para a vida em sociedade, tanto no âmbito público como no privado”, explica o documento aprovado.