Análises via satélite feitas pela ONU mapeiam a crise humanitária no Chifre da África

Pesquisadores monitoram movimentação de deslocados e refugiados em campos informais e avisam agentes que planejam a distribuição de ajuda humanitária. Dados estão na internet.

O Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa (UNITAR) está auxiliando desde julho o trabalho humanitário para conter a crise no Chifre da África. Mapas produzidos pelo Programa Operacional de Aplicações via Satélite (UNOSAT) apontam os locais onde há deslocados e refugiados, acompanhando a movimentação dos necessitados. Um atlas virtual foi produzido e é atualizado constantemente. As informações podem ser acessadas de graça.

Mapeamento de campos informais de deslocados e refugiados no Chifre da África

Mapeamento de campos informais de deslocados e refugiados no Chifre da África

A partir das imagens produzidas por satélites, os analistas já identificaram 200 áreas que concentram deslocados e refugiados, com abrigos emergenciais para mais de 20 mil pessoas na Somália, Etiópia e Quênia. Mais de 1,1 mil quilômetros de estradas também foram mapeados e 65 obstruções identificadas.

Relatórios recentes destacam as mudanças na crise generalizada em Mogadíscio, capital da Somália, onde dezenas de milhares de deslocados pela fome são forçados a vaguear em busca de ajuda em campos formais ou informais, muitas vezes expostos à violência de grupos armados e milícias.

“Esta é uma situação dinâmica, com milhares de deslocados movendo-se repetidamente dentro de Mogadíscio e dezenas de acampamentos informais abrindo e fechando nos últimos meses”, explica Josh Lyons, do UNOSAT. Segundo ele, isto faz com que os métodos tradicionais de mapeamento de campo de trabalho tenham pouca utilidade nesse tipo de situação.

Assim, o UNOSAT empenha seus esforços de monitoramento na tentativa de identificar, analisar e comunicar essa movimentação complexa de pessoas para os agentes humanitários.