Annan chega à Síria para conversa ‘séria e franca’ com autoridades sobre massacre de quase cem civis

“A ONU até agora verificou diretamente a morte de pelo menos 90 pessoas, incluindo 34 crianças com idade inferior a 10”, informou a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos.

Enviado Especial Conjunto das Nações Unidas e da Liga dos Estados Árabes, Kofi Annan (Jean-Marc Ferré/ONU).O Enviado Especial Conjunto das Nações Unidas e da Liga dos Estados Árabes, Kofi Annan, chegou à capital da Síria, Damasco, em missão de paz hoje ( 28/05). O momento foi classificado por ele como “crítico”, em referência ao massacre de quase 100 civis, entre crianças, homens e mulheres há dois dias.  No domingo (27/05),  a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, já havia afirmado que as mortes “ indiscriminadas e possivelmente deliberadas” no vilarejo de El Houleh na Síria podem ser consideradas crimes contra a humanidade.

“A ONU  até agora verificou diretamente a morte de pelo menos 90 pessoas, incluindo 34 crianças com idade inferior a 10.  Outros relatos não confirmados sugerem que o número de mortos pode ser muito maior. Estas atrocidades podem constituir crimes contra a humanidade e outras formas de crimes internacionais além de violações do direito internacional “, ressaltou Pillay.

O Conselho de Segurança da ONU, reuniu-se no domingo e condenou os assassinatos “nos termos mais fortes possíveis”, bem como a morte de civis por fuzilamento à queima-roupa e abusos físicos graves.

“A Síria sofreu uma série de  grandes  atentados nos últimos meses que só podem ser descritos como atos terroristas”, disse Pillay. “Denuncio fortemente tais atos, que também tomaram a vida de muitos civis. Gostaria de lembrar ao Presidente Assad e o Governo sírio que invocar uma defesa contra o terrorismo não justifica de qualquer maneira a violência e a morte pelas forças do governo e dos seus aliados em El Houleh “, disse Pillay.

“Insto o Governo a tomar as medidas certas para sinalizar que é séria a sua intenção de resolver esta crise pacificamente, e peço a todos os envolvidos para ajudarem a criar o contexto necessário para um processo político crível”, disse Annan, que pretende ter uma “séria e franca” discussão com o presidente sírio Al-Assad.

“Esta mensagem de paz não é apenas para o Governo, mas para todos os que carregam uma arma”, concluiu Annan.