Coordenador da ONU no Oriente Médio pede liderança da comunidade internacional nas negociações de paz

Robert Serry diz que a comunidade internacional precisa pensar em apresentar um marco para as negociações, considerando que nem israelenses nem palestinos aparentam estar prontos para recomeçar as conversas de paz.

Famílias em meio aos escombros em Gaza. Foto: UNRWA

Famílias em meio aos escombros em Gaza. Foto: UNRWA

Considerando que nem israelenses nem palestinos aparentam estar prontos para recomeçar as conversas de paz, a comunidade internacional precisa pensar em apresentar um marco para as negociações, disse ao Conselho de Segurança, nesta quinta-feira (26), o coordenador especial das Nações Unidas para o Processo de Paz no Oriente Médio, Robert Serry. De acordo com Serry, “essa pode ser a única maneira de preservar a meta de uma solução dos dois Estados“. “Não chegou o momento de o Conselho liderar?”, perguntou-se o coordenador.

“Ao deixar este cargo, não posso deixar de compartilhar um sentimento que tem sido parte deste processo de paz: é como se chutássemos uma lata por uma estrada sem fim”, disse Serry, que após sete anos como coordenador para o processo de paz na região será substituído por Nikolay Mladenov, que chefiou a Missão de Assistência das Nações Unidas para o Iraque.

Serry também disse que “perder de vista a busca pela paz entre Israel, Palestina e todo o mundo árabe – e alertei ao Conselho de Segurança que estávamos seguindo nesta direção – poderia ser o equivalente a botar mais lenha na fogueira da região”.

O coordenador especial parabenizou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pela vitória nas eleições, no dia 17 de março, embora tenha expressado sua preocupação pelas declarações feitas no final da campanha que levantaram sérias dúvidas sobre o compromisso do país com a solução de dois Estados. O novo governo deveria aproveitar esta oportunidade para mostrar seu engajamento com esta solução, afirmou Serry.

Ele também se disse preocupado com a decisão da Organização para a Liberação da Palestina (OLP) de suspender todas as formas de coordenação de segurança, dado o descumprimento sistemático e permanente de Israel com as suas obrigações segundo os acordos de paz assinados. Ele alertou que “essa medida pode ter significativas consequências”.

“Não podemos fugir da realidade. Há uma genuína possibilidade de que o fim da coordenação de segurança palestina com Israel possa ser o prego final no caixão dos Acordos de Oslo. Entretanto, ainda há tempo para as partes darem um fim ao ciclo de ações contraprodutivas e neutralizantes.”