A representante especial do secretário-geral e chefe da UNMISS se despede da missão solicitando o cumprimento do acordo de paz para pôr fim à escalada de violência.

A representante especial do secretário-geral e chefe da Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS), Hilde F. Johnson. Foto: ONU/Isaac Billy
“Embora eu sabia que ia ser pedregoso, difícil, desafiador e que estaríamos sob pressão, não esperava o que aconteceu nos últimos seis meses – a velocidade, a escala e a extensão do que se desenrolou diante de nossos olhos”, disse a representante especial do secretário-geral e chefe da Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS), Hilde F. Johnson. A norueguesa, que termina seu mandato de três anos a frente da UNMISS no próximo dia 8 de julho, deu uma entrevista sobre a situação do país ao Centro de Notícias da ONU nesta segunda-feira (30).
Dois anos e meio após a conquista da independência do Sudão através de um referendo apoiado pela ONU, em 2011, o Sudão do Sul enfrenta seu maior desafio com a luta política entre o Presidente Salva Kiir e o ex-vice-presidente Riek Machar, que deixou o país numa grave e violenta crise política. Hoje, cerca de 1,5 milhão de pessoas está deslocada, 7 milhões estão vulneráveis à fome e às doenças e cerca de 100 mil civis estão abrigadas nas bases da UNMISS em todo o país.
“O fato de abrirmos nossas portas realmente salvou milhares de vidas. Grandes desafios irão surgir mais para frente devido a esta decisão, mas era o caminho certo. Continua sendo o caminho correto”, afirmou Johnson. Ela destacou ainda a necessidade de negociações de paz para seguir em frente, bem como assegurar a responsabilização pelos crimes graves que foram cometidos e promover a reconciliação entre as comunidades.
Segundo com os termos do processo de paz em curso, as partes têm até o dia 10 de agosto para chegar a um acordo sobre um governo de transição interino. Antes desse prazo, é vital que ambos os lados do conflito respeitem a cessação das hostilidades que assinaram e estabeleçam o governo de transição.
“A principal lição aprendida nos últimos meses, principalmente para mim, é que mesmo que você sabia que algo vai acontecer, mesmo que você pense que a violência pode chegar a determinado nível, ela pode ser muito pior do que você jamais possa imaginar”, disse ela, acrescentando que depois de três anos de “gestão de crise quase constante”, é hora “de entregar essa tarefa para outra pessoa.”