Apesar da previsão de colheita positiva para 2015, FAO alerta sobre focos de insegurança alimentar

A produção mundial de cereais deve atingir 2,5 bilhões este ano e manter a tendência positiva. No entanto, crises alimentares em 34 países do mundo – incluindo Síria, Iraque, Sudão do Sul e Iêmen – continuam a preocupar.

Um agricultor de milho e seu filho em Lesoto, na África. Foto: FAO/Gianluigi Guercia

Um agricultor de milho e seu filho em Lesoto, na África. Foto: FAO/Gianluigi Guercia

Condições favoráveis para o cultivo de cereais em todo o mundo levarão a uma produção ainda melhor do que esperada nesta temporada, disse nesta quinta-feira (09), a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Esta projeção positiva acontece mesmo com a apreensão existente sobre as possíveis consequências de El Niño, crescentes preocupações sobre uma queda acentuada no milho cultivado na África subsaariana, bem como com a produção em declínio em outras áreas de insegurança alimentar.

De acordo com o último Índice de Preços de Alimentos lançado pela FAO mensalmente e a nova edição do relatório Perspectivas de colheitas trimestrais e de Situação Alimentar, ambos lançados nesta quinta-feira (09), a produção mundial de cereais este ano deve atingir 2,5 bilhões de toneladas. Isso representa um declínio de 1,1% do nível recorde em 2014, mas uma melhoria a partir de projeções feitas no mês passado.

Entretanto, o Índice de Preços de Alimentos caiu 0,9% em junho comparado a maio em 165,1 pontos e agora está 21% abaixo do que um ano atrás. Este é seu mais baixo nível desde setembro de 2009.

No entanto, esta projeção positiva mascara focos localizados de insegurança alimentar. Em todo o mundo, 34 países, incluindo 28 na África – muitos hospedando refugiados – precisam de assistência externa de alimentos. O relatório cita condições alarmantes no Sudão do Sul, Iêmen, Síria e Iraque, além do impacto na agricultura causado pelo terremoto no Nepal.