Em meio a desafios crescentes, UNRWA teve que priorizar ajuda emergencial em detrimento das atividades regulares. Violência prejudica os serviços de comunicação, de saúde e de educação no país.
Em meio a desafios crescentes, UNRWA teve que priorizar ajuda emergencial em detrimento das atividades regulares. Violência prejudica os serviços de comunicação, de saúde e de educação no país.

Maya Mousa é um das milhares de filhas de refugiados palestinos deslocados junto com suas famílias, devido ao conflito na Síria. Em julho de 2012, Maya fugiu da Síria para ser realocada com sua família de dez pessoas em uma pequena casa em Bourj al-Barajneh, campo de refugiados palestinos no Líbano. Foto: UNRWA
Devemos manter uma escola aberta ou não? Devemos fechar o centro de saúde ou não? Estas são apenas algumas das perguntas que os funcionários da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) têm que responder ao mesmo tempo em que realizam seu trabalho numa Síria devastada.
A Síria abriga cerca de meio milhão de refugiados palestinos, que vivem no local há décadas depois de fugirem de suas casas em consequência da guerra de 1948. Estima-se que todos eles sejam diretamente envolvidos no conflito que assola o país há mais de dois anos. Desde março de 2011, levantes contra o presidente Bashar al-Assad já mataram pelo menos 80 mil pessoas e deixaram 6,8 milhões sob necessidades humanitárias.
Antes dos conflitos, os refugiados palestinos já estavam entre as comunidades mais pobres na Síria, com estimativas de que 27% da população do país esteja vivendo abaixo da linha de pobreza – de 2 dólares por dia – e mais de 12% seja incapaz de satisfazer as suas necessidades alimentares básicas.
O conflito afetou o acesso à ajuda humanitária e interrompeu os serviços de educação e saúde, agravando o estresse e incerteza em comunidades de refugiados, segundo a UNRWA. A agência tem prestado serviços básicos e ajuda emergencial para os refugiados palestinos na Síria, Jordânia, Líbano, Cisjordânia e Gaza há mais de 63 anos.
A maioria das escolas foram consideradas inseguras, por terem sido danificadas, porque se encontram em áreas perigosas ou porque estão acomodando deslocados internos. Enquanto isso, 10 dos 23 centros de saúde foram fechados na semana passada, incluindo oito em Damasco. As comunicações são regularmente prejudicadas pelas interrupções de telefone e Internet.
A UNRWA informou que na Síria um número crescente de refugiados palestinos são mortos, feridos ou deslocados em meio à intensificação da violência. No início de março, cinco crianças palestinas estavam entre as vítimas, quando foram pegas por tiros e bombardeios. No mês anterior, 12 refugiados palestinos foram mortos por armas pesadas em Yarmouk, subúrbio da capital Damasco, sendo que cinco deles eram membros da mesma família.
Mudanças na forma de trabalho
O conflito mudou a forma de trabalho dos membros da UNRWA, especialmente porque as tarefas da agência evoluíram de prestação de serviços regulares – que vão desde a educação às necessidades de saúde – à prestação de assistência de emergência, tais como a distribuição de suprimentos de dinheiro, comida e assistência médica.
Antes, os funcionários começavam o dia com os serviços regulares da agência, mas atualmente uma das funções mais importantes é garantir a segurança da equipe, advertindo esse pessoal em relação aos seus movimentos ou sobre permanecer em ambientes fechados ou ir para seus escritórios.
A violência levou a agência a explorar novas e mais criativas formas de distribuir sua assistência. Atualmente, a UNRWA fornece para alguns refugiados cartões ATM para que possam retirar o dinheiro assistencial de bancos privados em áreas mais seguras, quando se torna muito perigoso ir a um dos escritórios da agência.
Os membros da equipe também enviam aos refugiados mensagens de texto de celular informando-lhes sobre o calendário e locais das distribuições dos cartões ATM e alimentos, além de cooperar com outros parceiros, como o Programa Mundial de Alimentos (PMA), para prestar assistência alimentar em áreas de violência armada.
Falta de financiamento
Os esforços do pessoal da UNRWA também foram prejudicados por uma escassez de fundos, que não mantiveram o ritmo com as necessidades dos refugiados que têm crescido exponencialmente ao longo do conflito. De todo o apelo da ONU de 1,5 bilhão de dólares para ajuda humanitária na Síria, 90 milhões de dólares seriam dirigidos para os esforços de ajuda da UNRWA durante os primeiros seis meses do ano. A agência recebeu até agora cerca de 78 milhões de dólares.
Outro problema fundamental é que, ao contrário de cidadãos sírios, os refugiados palestinos são limitados em suas opções para fugir do país devido ao seu status. A ONU estima que mais de 1,6 milhão de pessoas fugiram da violência na Síria e se refugiaram em países vizinhos. De acordo com a UNRWA, isso inclui cerca de 63,2 mil refugiados palestinos que fugiram para o Líbano e Jordânia. Outros milhares fugiram para a Turquia e Iraque.