Apesar de avanço, Afeganistão enfrentará seu maior desafio político e econômico em 2016, segundo ONU

Representante das Nações Unidas afirma que país precisa combater corrupção e fazer reforma no governo para estimular a comunidade internacional a contribuir financeiramente.

Família afegã na província de Faryab, norte do Afeganistão. Foto: ACNUR/S. Sisomsack

Família afegã na província de Faryab, norte do Afeganistão. Foto: ACNUR/S. Sisomsack

Em um balanço do primeiro ano do governo de unidade nacional no Afeganistão, o representante especial do secretário-geral da ONU no Afeganistão informou o Conselho de Segurança sobre a situação no país. Em um cenário de intensos conflitos armados, menor apoio internacional e fragilidade econômica, 2016 será um ano vital para o atual governo mostrar efetividade e obter o apoio do povo e dos doadores, do qual tanto depende sua própria sobrevivência, afirmou nesta terça-feira (21), Nicholas Haysom.

Com o aumento de número de mortes devido aos combates e maior grau de deslocamento no país, muitos afegãos optaram por deixar o país em busca de segurança e oportunidades econômicas, disse o representante. O desemprego é elevado e a corrupção precisa ainda ser combatida, mas avanços foram feitos na reforma do serviço civil e setor eleitoral, além das projeções econômicas apontarem um crescimento lento, porém, próspero nos próximos anos.

Haysom também elogiou a resiliência das forças de segurança afegãs frente à intensificação da insurgência. Ele ressaltou, no entanto, certas falhas, como a perda do controle temporários de distritos e províncias como Kunduz, e a necessidade de melhorias em seu funcionamento, principalmente em aspectos de logística e administração, como outras medidas para levantar a moral das tropas e diminuir os atritos. Também pediu apoio internacional para o esforço do país de constituir sua própria capacidade de combate aéreo.

O representante afirmou que o país precisa comprometer-se mais com a luta contra a corrupção e a reforma de governança, de forma a mandar um sinal positivo para a comunidade internacional, principalmente para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que se encontrará em Varsóvia para oferecer seu apoio militar para os próximos quatro anos, e doadores em Bruxelas que reafirmaram seu auxílio aos civis.

“A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA) irá encorajar os doadores a investirem na reconstrução e segurança do Afeganistão, em vez de lidar com os custos da imigração”, declarou Haysom, que também afirma que a situação do país não pode continuar instável. Para ele, é necessário um caminho político para a paz.

Haysom pediu ao Talibã para comprometer-se ao processo de paz. Ele afirmou que a UNAMA continuará com sua abordagem em relação ao grupo, focando em três vias: direitos humanos, acesso humanitário e compromisso político.