Apesar de diálogos positivos, falta de acordos atrasa conclusão de roteiro de paz no Iêmen

Segundo enviado da ONU, Iêmen está no caminho de um acordo, mas demora estende agonia no país. Atualmente, um quarto do país vive em situação de emergência de insegurança alimentar e 3 milhões de crianças com menos de cinco anos necessitam de ajuda para tratar ou prevenir a desnutrição aguda.

Pelo menos 7 milhões de pessoas em todo o Iêmen estão vivendo sob níveis emergenciais de insegurança alimentar. Outros 7,1 milhões de pessoas estão em um estado de crise, de acordo com a última avaliação sobre o tema. Foto: PMA/Asmaa Waguih

Pelo menos 7 milhões de pessoas em todo o Iêmen estão vivendo sob níveis emergenciais de insegurança alimentar. Outros 7,1 milhões de pessoas estão em um estado de crise, de acordo com a última avaliação sobre o tema. Foto: PMA/Asmaa Waguih

As conversas de paz no Iêmen, medidas pelas Nações Unidas, progrediram “lenta mas construtivamente” nos últimos dois meses, faltando ainda se chegar a um acordo a respeito do prosseguimento das várias fases propostas, como o momento do estabelecimento de um governo nacional unificado.

O enviado especial da ONU para o Iêmen, Ismail Ould Cheikh Ahmed, disse nesta semana (21) que as partes concordaram unanimemente com a necessidade de por fim ao conflito no país através de uma solução pacífica. Várias pessoas presas e detidas foram libertadas, e a interrupção das hostilidades permitiu que a ajuda humanitária chegasse a locais que eram inacessíveis.

Segundo Ahmed, os participantes discutiram assuntos delicados, como a retirada militar, medidas de segurança e a entrega de armas, temas políticos sensíveis e formas de se melhorar a situação econômica e humanitária, bem como a libertação de prisioneiros e detidos.

Após as conversas com as partes, o enviado da ONU apresentou um plano prático para por fim ao conflito no país. Nele, especifica a implementação de medidas de segurança e o estabelecimento de um governo nacional unificado que garantirá a distribuição de serviços básicos e abordará a recuperação econômica do país.

O governo unificado também será responsável pela elaboração de um diálogo político que definirá as próximas fases para uma solução política, incluindo a legislação eleitoral e o mandato das instituições que orientarão o período de transição e a conclusão do rascunho da Constituição.

O cessar-fogo, declarado no dia 10 de abril, colaborou com o alívio da violência em várias partes do Iêmen, mas uma série de violações ocorreram após a data.

“O Iêmen está no caminho para um acordo, e cada dia de atraso desnecessariamente estende a agonia do país”, disse o enviado especial, ressaltando que a unidade inabalável do Conselho tem sido um fator chave no progresso das negociações.

Situação no país

De acordo com a última atualização da situação de segurança alimentar, metade da população está vivendo em situação emergencial ou crítica de insegurança alimentar, sendo que algumas regiões alcançam estatísticas próximas a 70% da população tendo que lutar para se alimentar.

Pelo menos 7 milhões de pessoas, ou um quarto da população, vivem em níveis de “emergência” de insegurança alimentar, ou grau 4 em uma escala de 5. Isso reflete um aumento de 15% desde junho de 2015. Outros 7,1 milhões de pessoas estão em um estado de “crise”, ou grau 3.

Desde o início de 2016, o Produto Interno Bruto do Iêmen diminuiu mais de 30%. A escassez de combustível e as restrições às importações reduziram a disponibilidade de bens alimentares essenciais no país, que importa cerca de 90% dos seus alimentos básicos.

A escassez de sementes e fertilizantes debilitou a produção agrícola no Iêmen, onde cerca de 50% da força de trabalho ganhava a vida no setor agrícola e em outras atividades conexas.

Cerca de 3 milhões de crianças menores de cinco anos, bem como mulheres grávidas ou amamentando, necessitam de serviços para tratar ou prevenir a desnutrição aguda, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

“De janeiro a 30 de abril de 2016, cerca de 3,6 milhões de pessoas receberam ajuda alimentar de emergência, mas a resposta geral é significativamente subfinanciada”, disse Jamie McGoldrick, coordenador humanitário da ONU no Iêmen, incitando os doadores a aumentar o financiamento humanitário.