Parceria entre três agências da ONU busca investir na gestão florestal sustentável e contribuir na transição para uma economia verde — de baixa produção de carbono, com eficiência de recursos e socialmente inclusiva.

Mulheres trabalhando em campos de arroz, um método integrado agroflorestal na aldeia de Mokpon, Laos. Foto: ONU/Lamphay Inthakoun
Mais de 1 bilhão de pessoas no mundo dependem de florestas para abrigo, trabalho, alimentos, água, medicina e segurança. As florestas também absorvem o carbono, estabilizam o clima, regulam os ciclos de água e fornecem habitats para a biodiversidade. Investir em uma floresta saudável — afirma o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) — não é só vital para o bem-estar humano e ambiental, mas também crucial na transição para uma economia verde.
“As florestas fornecem recursos essenciais na produção de alimentos, gerando a chuva que nós precisamos para a agricultura, retendo a água potável e a água para irrigação das plantações, fornecendo o habitat para insetos que polinizam as plantações agrícolas. Sem florestas, não existiria nenhuma plantação funcional”, disse o chefe do escritório do PNUMA que lida com as florestas e as mudanças climáticas, Tim Christophersen, em entrevista durante a décima sessão do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas (UNFF10) em Istambul, Turquia. O evento termina nesta sexta-feira (19).
13 milhões de hectares destruídos anualmente
No entanto, apesar de todos esses benefícios vindos das florestas, elas ainda estão sendo destruídas em um ritmo de 13 milhões de hectares por ano. De acordo com o PNUMA, investir na gestão florestal e nas atividades de reflorestamento poderia contribuir significativamente na transição para uma economia verde — de baixa produção de carbono, com eficiência de recursos e socialmente inclusiva.
“Uma economia verde é aquela no qual o aumento da renda e de empregos é impulsionado por investimentos públicos e privados que reduzem as emissões de carbono e da poluição, aumentam a eficiência energética e dos recursos e impedem a perda da biodiversidade e dos ecossistemas”, afirmou o PNUMA.
O programa colaborativo das Nações Unidas sobre Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (em inglês, REDD+) — uma parceria entre o PNUMA, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) — busca criar um valor financeiro para o carbono armazenado nas florestas, oferecendo incentivos para os países em desenvolvimento para reduzir as emissões e investir em tecnologias de baixa emissão de carbono para o desenvolvimento sustentável.
Gestão florestal sustentável
“O objetivo”, disse Christophersen, “é incentivar os países em desenvolvimento a reduzir o desmatamento de modo que as florestas possam capturar mais carbono, suavizando as mudanças climáticas, para ajudar na adaptação desses países às mudanças climáticas e fazer uma contribuição para as suas economias nacionais.”
“Uma das melhores coisas sobre as florestas é que elas são renováveis”, completou. “Você pode realmente colher os frutos e ainda manter o capital natural que as florestas apresentam. Isso é chamado de gestão florestal sustentável. Você tirar da floresta, mas protegê-la ao mesmo tempo.”
Ele observou que o REDD+ é uma abordagem que se concentra tanto na conservação quanto na melhoria da gestão florestal sustentável. “É sobre como você pode restaurar florestas de modo que elas se tornem mais produtivas, rendendo mais para as populações locais e armazenando mais carbono.”
Projeto no Equador é exemplo
Entre os projetos conectados com o REDD+ está um programa chamado ‘Sócio Bosque’, no Equador, que fornece fundos para os proprietários e para as comunidades para melhor gerir suas florestas.
O programa foi lançado em 2008, com o objetivo de conservar mais de 5 milhões de hectares de floresta, evitando 13,5 milhões de toneladas de emissões de carbono por ano e fornecendo uma renda adicional para mais de 2 milhões de pessoas pobres no país.
“O dinheiro que aquelas comunidades recebem tem que ser reinvestido em infraestrutura para a comunidade, na educação e nos serviços de saúde”, disse Christophersen. “Este é um incentivo muito importante para que a população rural do Equador mantenha suas florestas.”
Assista a um vídeo sobre o tema (em inglês):