Apesar dos progressos, desaceleração econômica continua a impedir o desenvolvimento, diz ONU

Relatório sobre Objetivos do Milênio pede medidas ousadas no combate à poluição e melhorias na saúde infantil e materna e na educação básica. Pela primeira vez em muito tempo, assistência oficial ao desenvolvimento caiu por dois anos consecutivos.

Mães e seus bebês esperam em um centro de cuidados de saúde materna em Niamey, no Níger, onde o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) fornece alimentação suplementar. Foto: PMA/Rein Skullerud

Mães e seus bebês esperam em um centro de cuidados de saúde materna em Niamey, no Níger, onde o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) fornece alimentação suplementar. Foto: PMA/Rein Skullerud

A comunidade internacional deve agir de acordo com os compromissos assumidos em prol das metas de combate à pobreza universalmente aceitas, disse nesta quinta-feira (19) o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Ele falou sobre o tema durante o lançamento de um relatório que conclui que, apesar de êxitos significativos, a desaceleração econômica global continua a impedir o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

Os ODM são metas de combate à pobreza firmadas por 189 países em 2000 e que devem ser cumpridas até o fim de 2015.

“Os novos países e outros parceiros estão realizando progressos. Mas todos devem cumprir os compromissos – na assistência oficial ao desenvolvimento, financiamento climático e mobilização de recursos internos”, disse Ban na sede da ONU em Nova York.

O relatório anual, intitulado “A Parceria Global para o Desenvolvimento: O Desafio que Enfrentamos”, foi elaborado por uma Força-Tarefa das Nações Unidas criada em 2007 para monitorar os compromissos globais em matéria de ajuda, comércio e da dívida e para acompanhar o progresso no acesso a medicamentos essenciais e tecnologia.

O documento afirma que os países em desenvolvimento ganharam maior acesso a tecnologias, a mercados para suas exportações, a alguns medicamentos essenciais e a um maior alívio da dívida. O acesso à tecnologia de telefonia móvel e internet continua a se expandir rapidamente e alguns medicamentos, como os para HIV/AIDS, se tornaram mais acessíveis.

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Foto: ONU/Paulo Filgueiras

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Foto: ONU/Paulo Filgueiras

“No entanto, muito ainda precisa ser feito”, disse Ban durante o lançamento. “Embora as tendências econômicas globais estejam melhorando lentamente, a crise continua a ser um dano”, acrescentou. “Pela primeira vez em muito tempo, a assistência oficial ao desenvolvimento (ODA) caiu por dois anos consecutivos.”

A ODA global diminuiu 4% em 2012, em 2011 registrou 134 bilhões de dólares e no ano passado 125,9 bilhões de dólares, principalmente devido às medidas de austeridade fiscal dos países da União Europeia.

De acordo com o relatório, várias metas importantes foram alcançadas e podem ser cumpridas até o ano de 2015, como resultado de esforços coletivos da comunidade internacional, dos governos, setor privado, sociedade civil e outras partes interessadas. No entanto, o relatório pede medidas mais ousadas em áreas como a poluição, saúde infantil e materna, prevenção ao HIV e educação básica.

O estudo observou que as empresas farmacêuticas devem tornar os medicamentos “acessíveis e com qualidade melhorada”.

Segundo o relatório, os pacientes dos países em desenvolvimento pagam de três a seis vezes o preço de referência internacional, e isso quando os medicamentos estão disponíveis.

O relatório foi divulgado pouco antes das reuniões gerais anuais de alto nível da Assembleia Geral da ONU na próxima semana, onde os ODM estão entre os principais tópicos.

Acesse o relatório clicando aqui.