Após 70 anos, ONU torna pública documentação sobre crimes cometidos durante a Segunda Guerra Mundial

Iniciativa pioneira de justiça internacional, a Comissão da ONU de Crimes de Guerra recompilou o material para a preparação dos julgamentos pós-guerra.

Documentos microfilmados fazem parte do acervo da Comissão da ONU de Crimes de Guerra entre 1943 e 1949, at the United Nations Archives in New York. Foto: ONU/Mark Garten


Documentos microfilmados fazem parte do acervo da Comissão da ONU de Crimes de Guerra entre 1943 e 1949, at the United Nations Archives in New York. Foto: ONU/Mark Garten

Um anúncio realizado em julho pelas Nações Unidas ampliou as possibilidades de conhecer mais sobre as evidências de crimes de guerra ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial. A partir dessa data, todo os arquivos da Comissão da ONU de Crimes de Guerra passaram a estar disponíveis publicamente pela primeira vez em 70 anos.

Nesta terça-feira (11), um painel convocado pela Organização em sua sede em Nova York analisou a importância histórica e o potencial uso desse acervo, em um evento da série de comemorações para marcar o 70o  aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial e a fundação da Organização.

Os documentos recompilados pela Comissão foram usados como peça fundamental na preparação para o julgamento dos crimes de guerra depois da Segunda Guerra Mundial. O acervo contém evidência de 17 Estados-membros, incluindo a lista de supostos criminosos de guerra, acusações, atas de reuniões, relatórios, entre outros tipos de documentos usados em julgamentos nacionais.

Para o conselheiro especial da ONU sobre Prevenção do Genocídio, Adama Dieng, é necessário reconhecer o legado da Comissão, que por muito tempo permaneceu no escuro. Essa importante iniciativa de justiça internacional é anterior a criação das Nações Unidas e conseguiu – há anos – convencer os países a estabelecer uma autoridade central para investigar e fazer recomendações sobre crimes de guerra. Também ressaltou a importância da documentação histórica e seu uso para levar os autores à justiça.

O material da Comissão, que atuou entre 1943 e 1948, está agora disponível ao público no Museu do Memorial do Holocausto, em Washington D.C., Estados Unidos. Para o diretor em exercício do Departamento de Informação Pública da ONU, Hua Jiang, o acesso livre à documentação serve não só como um legado histórico ou jurídico, mas abrirá um grande potencial para pesquisadores, editores e estudantes.