Chefe da ONU para os direitos humanos condenou o assassinato e afirmou que o Paquistão tem uma das maiores taxas de violência contra as mulheres do mundo. Mulher foi apedrejada porque decidiu casar-se com um homem de sua própria escolha.

Meninas e mulheres paquistanesas sofrem com violência de gênero. Foto: ACNUR/S.Phelps
A alta comissária da ONU para os direitos humanos, Navi Pillay, condenou veementemente, nesta quarta-feira (28), o assassinato de uma mulher, grávida, de 25 anos de idade, que foi apedrejada até a morte porque decidiu casar-se com um homem de sua própria escolha, no Paquistão, país com uma das maiores taxas de assassinatos de mulheres do mundo.
“Estou profundamente chocada com a morte de Farzana Parveen, que, como no caso de tantas outras mulheres no Paquistão, foi brutalmente assassinada por membros de sua própria família”, disse Pillay. “Todos os anos, centenas de mulheres são mortas no Paquistão como punição por se casar com um homem que suas famílias não escolheram ou por não aceitar um casamento arranjado.”
“O governo paquistanês deve tomar medidas urgentes para acabar com os chamados ‘crimes de honra’ e outras formas de violência contra as mulheres.”
Segundo relatos da imprensa, cerca de 20 membros da família de Parveen – incluindo seu pai e dois irmãos – atacaram ela e o seu marido, quando eles estavam a caminho da Alta Corte de Lahore, onde contestariam as alegações de seu pai de que ela havia sido sequestrada por seu marido e que seu casamento era inválido.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré
De acordo com a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, 869 mulheres foram assassinadas nos chamados “crimes de honra” no país no ano passado, mas o número real pode ser muito maior, com muitas dessas mortes podendo ser disfarçadas como acidentes, ou simplesmente não serem relatadas oficialmente.
“O governo paquistanês deve fazer um esforço muito maior para proteger as mulheres como Farzana Parveen. O fato de que ela foi morta a caminho do tribunal mostra uma falha grave por parte do Estado em garantir a segurança de alguém que – dado que esses assassinatos são comuns no Paquistão – estava obviamente em risco”, disse Pilay.
A Assembleia Geral da ONU, em três resoluções diferentes em 2001, 2003 e 2005, chamou os Estados-membros a intensificar os esforços legislativos, educativos e sociais, entre outros, para prevenir e eliminar os crimes com base na “honra” e levar os responsáveis à justiça.