Após ataques a três cidades, ONU e União Africana alertam sobre tentativa de desestabilizar Darfur

Chefe da Missão Conjunta em Darfur, Ibrahim Gambari, disse que as tensões atuais entre Sudão e Sudão do Sul podem minar conquistas históricas de paz.

Ibrahim Gambari, representante especial conjunto para a Missão da ONU-UA em Darfur. (UNAMID / A. G. Farran)O chefe da Missão Conjunta das Nações Unidas e da União Africana em Darfur (UNAMID)  expressou hoje (20/04) séria preocupação com os avanços de movimentos armados no sul da região, após ataques a três cidades durante essa semana.

“Com o clima das tensões atuais entre Sudão e Sudão do Sul, eu me preocupo profundamente que movimentos armados estejam buscando desestabilizar Darfur. Essas ações podem minar a  preciosa paz que tem avançado desde a assinatura do Documento de Doha para a Paz em Darfur”, disse o chefe da UNAMID, Ibrahim Gambari, em comunicado de imprensa.

“Reitero meu apelo para que os movimentos armados descartem a lógica de guerra e se juntem ao processo de paz pelo fim do longo sofrimento do povo de Darfur”, acrescentou Ibrahim. De acordo com a UNAMID, em 17 de abril, um grupo armado realizou um ataque à comunidade de Saysaban, no sudoeste de Darfur, destruindo uma torre de telecomunicações e apreendendo combustível do mercado local. No mesmo dia, outro grupo atacou a cidade de Um Dafok, na fronteira com a República Centro-Africana.

Ibrahim Gambari disse que a UNAMID está monitorando de perto a situação e tomará medidas para proteger a população civil na região. “Todas as partes devem abster-se da violência. Não há solução militar para este conflito.”

O Documento de Doha para a Paz em Darfur, um pacto mediado pelo Catar tendo em vista o fim do conflito, foi firmado pelo Governo do Sudão e o Movimento de Libertação e Justiça (LJM) em 2011.