ONGs locais confirmam morte de Presidente da Associação de Advogados do país e de seu sócio. Ambos prestaram assistência jurídica a inúmeros cidadãos e atuavam em defesa dos direitos humanos.

Uma placa de carro, um sinal da volta a normalidade na Somália após a guerra civil. Foto: ONU/Tobin Jones
O Governo da Somália e a comunidade internacional precisam continuar seus esforços para fortalecer o setor da justiça no país, apesar dos ataques que mataram dezenas de civis no domingo (14). A avaliação é do Especialista Independente da ONU sobre a situação de direitos humanos na Somália, Shamsul Bari.
“Durante minhas visitas a Mogadíscio, sempre fui incentivado pelo compromisso dos funcionários da justiça e prestadores de assistência jurídica que realizam suas funções em um contexto de segurança desafiador”, disse Bari.
No domingo, homens armados atingiram um comboio de ajuda humanitária perto do aeroporto e invadiram o Tribunal Regional de Banadir. O grupo militante Al Shabaab assumiu a responsabilidade pelos ataques.
“Para garantir o Estado de Direito e a luta contra a impunidade, os juristas devem ser protegidos e autorizados a realizar o seu trabalho em um país devastado pela guerra como a Somália”, disse Bari.
Embora a lista de mortos e feridos não esteja completa, ONGs locais já confirmaram a morte do Presidente da Associação de Advogados da Somália, Mohamed Mohamud Afrah, e de seu sócio, Abdikarin Hassan Gorod. Ambos estavam trabalhando com o Centro de Desenvolvimento das Mulheres somalis.
Os dois advogados também prestaram assistência jurídica a inúmeros somalis ao longo dos últimos anos, incluindo assessoria jurídica ao jornalista Abdiasis Abdinur Ibrahim e uma suposta vítima de estupro que ele entrevistou. Os dois haviam sido condenados no início de 2013 a um ano de prisão, porém, a sentença conseguiu ser revertida.
“Ofereço as minhas sinceras condolências e orações às famílias e entes queridos dos mortos e feridos durante os ataques”, disse Bari.
Após décadas de confrontos entre facções e a ilegalidade, a Somália recentemente tomou uma série de medidas para encerrar o período de oito anos de transição política, incluindo a adoção de uma Constituição provisória, a criação de um novo Parlamento e a nomeação de um novo Presidente e um Primeiro-Ministro.