Após mortes na fronteira da Áustria, chefe da ONU cobra canais legais e seguros para migração

Ban Ki-moon instou a comunidade internacional a encontrar respostas abrangentes para a questão da migração, incluindo o combate ao tráfico de pessoas e a resolução dos conflitos vigentes.

Arame farpado rodeia ocentro Debrecen para os requerentes de asilo no leste da Hungria. Partes do centro estão "abertas ", mas a instalação também contém uma unidade para a detenção de requerentes de asilo considerados em risco de fuga. Foto: IRIN

Arame farpado rodeia ocentro Debrecen para os requerentes de asilo no leste da Hungria. Partes do centro estão “abertas “, mas a instalação também contém uma unidade para a detenção de requerentes de asilo considerados em risco de fuga. Foto: IRIN

Após a descoberta de mais de 70 cadáveres abandonados perto da fronteira entre a Áustria e a Hungria, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu, nesta sexta-feira (28), que o mundo encontre em conjunto respostas abrangentes para a questão da migração, incluindo o combate ao tráfico de pessoas e a resolução dos conflitos vigentes.

“Estou horrorizado e com o coração partido com as últimas perdas de vidas de refugiados e migrantes no Mediterrâneo e na Europa”, declarou o chefe da ONU, após a descoberta de corpos em um veículo abandonado em que muitas das vítimas eram requerentes de asilo sírios, incluindo crianças.

“Os últimos dias trouxeram ainda mais notícias de centenas de refugiados e migrantes afogados em viagens perigosas pelo mar”, continuou, observando que, apesar dos esforços concertados e louváveis das operações de busca e resgate de países europeus, o Mediterrâneo continua representando uma armadilha mortal para aqueles que tentam chegar à Europa.

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) declarou que a “tragédia mostra que os traficantes de pessoas não têm nenhuma consideração pela vida humana e buscam apenas o lucro. Eles exploram  o desespero das pessoas que buscam proteção e uma nova vida na Europa.” A agência solicitou a todos os governos envolvidos nesta questão que expandam sua resposta, incluindo a criação de canais legais e seguros para a migração e uma maior cooperação entre as forças de segurança e inteligência europeias para reprimir o tráfico humano.

De acordo com as últimas estatísticas, mais de 140 mil pessoas buscaram asilo na Hungria, comparado as 42 mil no ano passado. Todos os dias a polícia húngara intercepta mais de 2 mil pessoas cruzando a fronteira vindos da Sérvia. Nesta quarta-feira (26), a polícia relatou 3,241 novos recém-chegados, incluindo 700 crianças – o maior número em um único dia. Com uma capacidade máxima de 5 mil pessoas, os centros de recepção da Hungria estão lotados. A polícia húngara não possui suficientes trabalhadores sociais ou intérpretes de árabe, Dari, Pastum ou Urdu, o que dificulta a comunicação.