Relatório aponta que crises globais de saúde têm mostrado as consequências trágicas do fracasso dos países para investir em bens públicos globais para a saúde.
Especialistas independentes encarregados de avaliar a resposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o surto de ebola na África Ocidental afirmaram nesta segunda-feira (12) que “neste momento, a OMS não tem a capacidade operacional ou a cultura de proporcionar uma resposta de emergência plena de saúde pública”.
“Agora é o momento político histórico para os líderes mundiais darem à OMS nova relevância e capacitá-la para liderar a saúde global”, disse o primeiro relatório do painel, encomendado pela OMS e compartilhado com os Estados-Membros antes da Assembleia Mundial da Saúde da próxima semana. “Uma OMS fortalecida e bem financiada pode dar apoiar todos os países que se preparam para enfrentar os desafios da crescente interdependência global e vulnerabilidade compartilhada. Em resposta, o Secretariado [da OMS] necessita tomar medidas sérias para ganhar este papel de liderança em relação a surtos e resposta de emergências e recuperar a confiança da comunidade internacional”.
De acordo com o relatório, cada crise global de saúde tem mostrado as consequências trágicas, incluindo aqueles nas esferas sociais e econômicas, do fracasso dos países para investir em bens públicos globais para a saúde. Essas falhas são, em seguida, espelhadas como deficiências na OMS, à medida que a agência sofre com a falta de compromisso político e financeiro dos seus Estados-Membros, apesar dos riscos que a saúde global enfrenta.
O relatório lista três opções sobre o caminho a seguir para a OMS: deve ser estabelecida uma nova agência para as emergências de saúde; a parte da resposta de emergência de saúde deve ser conduzido por outra agência das Nações Unidas; ou investimentos devem ser feitos para melhorar a capacidade operacional da OMS na resposta de emergências. O painel disse que recomenda que a terceira opção “seja buscada com vigor” e pediu investimentos dos Estados Membros para tornar a agêncai apta para o seu propósito.
Este surto de ebola é o maior e mais complexo já registrado e até o momento afetou mais de 26.000 pessoas, incluindo mais de 11.000 mortes, principalmente na Guiné, Libéria e Serra Leoa.
