Após um ano de conflitos em Mianmar, 140 mil pessoas continuam deslocadas, alerta ONU

A agência de refugiados da organização já distribuiu lonas de plástico, colchões e utensílios de cozinha para 75 mil pessoas deslocadas por conflitos entre budistas e muçulmanos.

Na capital do estado de Rakhine, em Mianmar, muitos deslocados foram morar em abrigos temporários e ainda dependem de ajuda devido à insegurança na região. Foto: ACNUR/S. Kellly

Na capital do estado de Rakhine, em Mianmar, muitos deslocados foram morar em abrigos temporários e ainda dependem de ajuda devido à insegurança na região. Foto: ACNUR/S. Kellly

Mais de 140 mil pessoas continuam deslocadas após um ano da eclosão de um conflito intercomunitário no estado de Rakhine, em Mianmar, informou a agência de refugiados das Nações Unidas (ACNUR) nesta sexta-feira (7).

A agência disse ainda que está pronta para apoiar o governo do país no registro de todas as pessoas deslocadas internamente e na promoção da reconciliação para retornos voluntários seguros e sustentáveis. A agência já presta serviços de saneamento, saúde e água limpa para aqueles atingidos pela violência entre budistas e muçulmanos.

Estima-se que 75 mil pessoas foram deslocadas no primeiro levante que aconteceu em junho do ano passado em Rakhine e mais 36 mil deslocadas no segundo conflito ocorrido em outubro.

“Muitas pessoas que não foram diretamente afetadas pela violência perderam seus meios de subsistência como resultado de movimentos restritos devido à situação de segurança. Alguns foram forçados a deixar suas casas em busca de assistência”, disse o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, em Genebra.

No ano passado, a agência distribuiu suprimentos de emergência, tais como lonas de plástico, colchões e utensílios de cozinha, para 75 mil deslocados internos. Além disso, ela complementou o programa de abrigo do governo, fornecendo tendas, abrigos temporários ou permanentes para 45 mil pessoas. Outros abrigos estão sendo construídos para comunidades vulneráveis às inundações durante o período de chuvas.

O ACNUR, porém, está enfrentando problemas para conceder os suprimentos, já que muitos dos trabalhadores que entregam a ajuda humanitária estão recebendo ameaças. O porta-voz do ACNUR disse que o governo do país deve ajudar no diálogo entre os dois grupos para que a ajuda chegue a todos os necessitados.

Ele também reiterou que a agência precisa de 80 milhões de dólares até o final do ano para atender às necessidades dos deslocados em Mianmar. Até agora, só 18% desse valor foi recebido.