Argentina deve garantir a independência do seu sistema judiciário, diz especialista da ONU

Projeto de lei no país estabelece que parte dos membros do Conselho da Magistratura sejam eleitos por voto popular.

Argentina deve garantir a independência do seu sistema judiciário, diz especialista da ONUA Relatora Especial da ONU sobre a Independência de Juízes e Advogados, a brasileira Gabriela Knaul, pediu nesta terça-feira (30) à Argentina que garanta a independência do seu sistema judicial, após reformas aprovadas neste mês que podem afetar o processo de eleição do Conselho da Magistratura, responsável por nomear e exonerar os juízes.

“O Estado tem a responsabilidade de garantir a independência do Poder Judiciário, respeitando suas leis e normas internacionais”, disse Knaul. Na semana passada, a Câmara dos Deputados decidiu mudar o processo para designar os membros do Conselho da Magistratura.

O projeto de lei, que ainda precisa ser votado pelo Senado, submete parte dos membros do Conselho a eleições populares, com os candidatos sendo estabelecidos pelos partidos políticos.

“Ao oferecer a oportunidade para os partidos políticos de propor e organizar a eleição dos diretores, a independência do Conselho da Magistratura é colocada em risco, o que compromete seriamente os princípios da separação de poderes e da independência do Poder Judiciário, que são elementos fundamentais de qualquer democracia e qualquer Estado de Direito”, disse Knaul.

De acordo com relatos da imprensa, o projeto de lei daria ao partido majoritário o controle sobre o Conselho, que poderia impugnar os juízes por maioria simples em vez de obter pelo menos dois terços dos votos necessários atualmente.

Além disso, altera as exigências das candidaturas para esse órgão e reduz as maiorias necessárias para a aprovação de decisões relevantes, incluindo o afastamento de juízes, sem possibilidade de recurso.