Armas químicas foram usadas na Síria, afirma equipe da ONU

Com base em provas obtidas durante a investigação em Ghouta, equipe afirma que armas químicas foram usadas no conflito contra civis, incluindo crianças, em uma “escala relativamente grande”.

Chefe da equipe de investigação, Åke Sellström, entrega relatório ao Secretário-geral da ONU. Foto ONU/Paulo Filgueiras

Há “provas claras e convincentes” de que gás sarin foi usado em 21 de agosto na área de Ghouta, nos arredores de Damasco, capital da Síria, afirma o relatório da equipe das Nações Unidas que investiga o uso de armas químicas no país.

O relatório, entregue ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, no domingo (15) e tornado público nesta segunda-feira (16), conclui que, com base em provas obtidas durante a investigação do incidente em Ghouta, “armas químicas foram usadas no conflito em curso entre as partes na [Síria], também contra civis, incluindo crianças, em uma escala relativamente grande”.

A equipe, liderada pelo cientista sueco Åke Sellström, também conclui que as amostras coletadas — ambientais, químicas e médicas — fornecem “provas claras e convincentes de que foguetes contendo o agente sarin foram usados em Ein Tarma, Moadamiyah e Zamalka, na área de Ghouta em Damasco.”

O secretário-geral da ONU apresentou nesta segunda-feira o relatório ao Conselho de Segurança da ONU e, na sequência, aos membros da Assembleia Geral.

Em 1993, a Convenção da ONU sobre Armas Químicas foi assinada por 162 países membros. Atualmente, já conta com 189 países membros, representando 98% da população global.

O tratado proíbe a produção e o armazenamento de diversas armas químicas, inclusive o sarin. O tratado entrou em vigor em 29 de abril de 1997 e pediu a destruição completa de todos os arsenais das armas químicas especificadas até abril de 2007.

O gás sarin foi classificado como arma de destruição em massa na Resolução 687 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, de 1991.