Em artigo, secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alerta para possibilidade de genocídio do Sudão do Sul, em guerra há três anos. Ele pediu que a comunidade internacional e o Conselho de Segurança imponham sanções para resolver a crise no país.

Foto: JC McIlwaine/ ONU
Este ano marca o aniversário de cinco anos do mais novo país do mundo, o Sudão do Sul. Fui às celebrações de independência na capital, Juba, em 2011. Havia muito esperança do povo sofrido daquele país rico em petróleo, que finalmente veria os frutos da paz depois da prolongada guerra civil.
Em vez disso, o povo do Sudão do Sul agora encara um aniversário sombrio. Este mês marca três anos desde que o país mergulhou em combates que cobram um terrível preço.
Dezenas de milhares foram assassinados. O tecido social do Sudão do Sul foi esgarçado. A economia está em ruínas. Milhares foram retirados de suas casas. Há fome e pobreza generalizada.
Hoje, mais de seis milhões de pessoas no Sudão do Sul precisam de ajuda para sobreviver. Na medida em que o conflito se intensifica, este número cresce vertiginosamente. Enquanto isso, continuam aumentando restrições impostas pelo governo local à Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS) e a organizações humanitárias.
O povo do país manifestou esperança depois da independência que sucedeu décadas de guerra. Mesmo assim, seus líderes traíram a confiança do povo e levou o país a ruínas e a mais miséria.
O presidente Salva Kiir seguiu uma estratégia étnica para acabar com dissidentes, amordaçar a mídia, excluir importantes atores locais do processo de paz e unilateralmente implementar um acordo para as eleições. As lutas agora se espalharam pelo país.
Ao mesmo tempo, ações de outros líderes, incluindo Riek Machar e outros opositores armados, estão intensificando o conflito e manipulando ganhos étnicos e políticos.
O risco destas atrocidades em massa, que incluem recorrentes episódios de limpeza étnica, é uma escalada real que pode levar ao genocídio.
Enquanto o povo do Sudão do Sul sofre, o Conselho de Segurança e a região continuam divididos. Isto tem apenas dado tempo para a mobilização de recursos que permite o massacre.
Em função do tamanho deste desastre, o Conselho de Segurança da ONU, organizações regionais e a comunidade internacional precisam assumir suas responsabilidades. Importante atores, como o Alto Representante para o Sudão do Sul na União Africana, o ex-presidente do Mali Alpha Ourmar Konaré , têm feito esforços significativos. Mas todos precisamos fazer mais para conter esta crise.
Já tomei diversas decisões para melhorar o desempenho da UNMISS. Mas apenas reforçar a missão de paz para que ela proteja civis não terminará o conflito. É necessária uma solução política.
Isto inclui o fim das hostilidades, seguido por um genuíno processo político inclusivo. Se isto não acontecer imediatamente, o Conselho de Segurança deve impor embargo de armas e outras sanções aos envolvidos para convencê-los a escolher o caminho para a paz.
Além disso, a responsabilização é crucial para que os autores de crimes hediondos sejam julgados – dos níveis mais altos aos soldados que obedecem ordens.
O tempo está se esgotando enquanto as partes beligerantes se preparam para outro ciclo vicioso de violência ao fim da estação chuvosa. A responsabilidade para restaurar um diálogo inclusivo depende exclusivamente dos líderes do país.
Se eles falharem, a comunidade internacional, a região e o Conselho de Segurança em particular, devem impor penalidades aos líderes dos dois lados. Devemos isto ao povo do Sudão do Sul, que já sofreu muito e por muito tempo.