“Os combates entre o Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA) e o Movimento de Libertação do Povo do Sudão em Oposição (SPLM-IO) em Juba, que estouraram entre os dias 8 e 12 de julho de 2016, representam um sério revés para a paz no Sudão do Sul e mostraram o quão volátil é ainda a situação no país, com civis vivendo sob o risco de atrocidades em massa’’, alertou o chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein.
Novo relatório divulgado pela ONU na segunda-feira (16) detalha as graves violações de direitos humanos e abusos cometidos em Juba, no Sudão do Sul, em julho passado e chama a atenção para a continuação da violência e da impunidade no país.
“Os combates entre o Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA) e o Movimento de Libertação do Povo do Sudão em Oposição (SPLM-IO) em Juba, que estouraram entre os dias 8 e 12 de julho de 2016, representam um sério revés para a paz no Sudão do Sul e mostraram o quão volátil é ainda a situação no país, com civis vivendo sob o risco de atrocidades em massa’’, alertou o chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein.
Informações documentadas pela Divisão de Direitos Humanos sugerem que centenas de pessoas, incluindo civis, foram mortas e várias ficaram feridas durantes e após os combates.
Além disso, a Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS) documentou 217 vítimas de estupro, incluindo violações em gangues cometidas por integrantes do SPLA e do SPLM-IO e outros grupos armados.
De acordo com declarações das vítimas e de outras testemunhas, a maioria dos incidentes foi cometida por soldados do SPLA, por policiais e membros do Serviço de Segurança Nacional.
Diante da situação, a missão da ONU e o Escritório de Direitos Humanos da ONU (ACNUDH) pediram ao governo de transição do país que quebre o ciclo de violência e a impunidade através do estabelecimento e da operacionalização do tribunal híbrido para o Sudão do Sul.
O relatório também recomenda que o Estado assegure que todas as vítimas de violações e abusos de direitos humanos, bem como de violações do direito internacional humanitário, tenham acesso a medicamentos eficazes e à reparação justa, incluindo compensação e reabilitação.
“No total, um número impressionante de 1,38 milhão de sul-sudaneses fugiram para outros países e outros 1,8 milhão de civis foram deslocados em seu próprio país. Na ausência de justiça e responsabilização pelas violações cometidas – incluindo possíveis crimes de guerra – tais explosões desenfreadas de violência podem aumentar rapidamente. Com isso, os civis continuarão sofrendo imensamente”, alertou Zeid.
(Imagem de capa do vídeo: crianças foram mortas, raptadas e violentadas em meio a uma série de ataques no Sudão do Sul. Foto: UNICEF/Porter)