Assembleia Geral da ONU aprova resolução por transição política na Síria

Adotada com 107 votos a favor, 12 contra e 59 abstenções, texto condena aumento do uso de armas pesadas pelo Governo sírio e violações sistemáticas de direitos humanos no país.

Assembleia Geral vota resolução sobre a situação na Síria. Foto: ONU/ Evan Schneider

Assembleia Geral vota resolução sobre a situação na Síria. Foto: ONU/ Evan Schneider

Expressando grande preocupação com a contínua intensificação de violência na Síria, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou na quarta-feira (15) uma resolução que pede uma transição política na Síria, “o que representa a melhor oportunidade para resolver a situação […] pacificamente”.

Adotada em um pleito com 107 votos a favor e 12 contra, com 59 abstenções, o texto da Assembleia condena veementemente o aumento do uso de armas pesadas pelo Governo sírio, bem como as “graves violações generalizadas e sistemáticas dos direitos humanos e das liberdades fundamentais” durante o conflito.

A medida saúda a criação, em 2012, da Coalizão Nacional Síria das Forças de Oposição e da Revolução “como interlocutores representativos eficazes necessários para uma transição política”. A aprovação marca a quinta resolução sobre a situação na Síria votada pelos 193 Estados-Membros da ONU desde 2011, quando se iniciaram os conflitos no país.

O texto, liderado pelos países árabes, pede à comunidade internacional para fornecer “urgentemente” apoio financeiro aos países de acolhimento que lhes permitam responder às necessidades humanitárias crescentes dos refugiados sírios e das comunidades afetadas. Solicita também a um especialista da ONU um relatório para a Assembleia dentro de 90 dias “sobre a situação muito extrema” dos deslocados internos no país.

Os conflitos na Síria começaram em março de 2011, em razão dos levantes contra o presidente Bashar al-Assad. Segundo o presidente da Assembleia Geral, Vuk Jeremic, o número de mortos pelo confronto já chega a 80 mil, sendo que a maioria são civis.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, um grupo de oposição, disse na terça-feira (14) que pelo menos 94 mil pessoas foram mortas em decorrência do conflito — mas este número pode chegar a 120 mil, admitiu o grupo.