Assembleia Geral da ONU: referendo na Crimeia é inválido

Cem países votaram a favor da resolução, 11 contra, e 58 se abstiveram, entre eles o Brasil. Desde o início do conflito, as Nações Unidas vêm pedindo uma solução diplomática para a crise.

Assembleia Geral das Nações Unidas. Foto: ONU/Eskinder Debebe (foto de arquivo)

A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quinta-feira (27) uma resolução declarando que o referendo da Crimeia, realizado no começo deste mês e apoiado por Moscou sobre a secessão da Ucrânia e união com a Rússia, é inválido.

Os 193 países que fazem parte da Assembleia pediram a todos os Estados, organizações internacionais e agências especializadas que não reconheçam qualquer alteração no estatuto da República Autônoma da Crimeia e da cidade de Sevastopol “e que se abstenham de qualquer ação que possa ser interpretada como reconhecimento de tal alteração de estatuto”.

Na votação da resolução, 100 países votaram a favor, 11 contra e 58 se abstiveram, entre eles o Brasil. A favor da resolução aprovada hoje estão Espanha, Chile, Colômbia, México, entre outros. A favor da Rússia, e contra a resolução destacam-se Bolívia, Coreia do Norte, Cuba, Nicarágua, Venezuela e outros. Já os países emergentes como China, Índia e Brasil, e outros latino-americanos como Argentina, Equador e Uruguai, se abstiveram.

Desde o início do conflito as Nações Unidas vêm pedindo uma solução diplomática para a crise. O Conselho de Segurança da ONU convocou sete sessões sobre a situação na Ucrânia, e em sua oitava reunião, a Rússia, um dos membros permanentes do órgão de 15 nações, bloqueou a ação do Conselho — através do uso do veto. O país votou contra um projeto de resolução que teria pedido que países não reconhecessem os resultados do referendo na Crimeia.

A decisão do governo ucraniano em novembro de 2013 de não assinar um acordo sobre uma integração mais ampla com a Europa desencadeou meses de tensões no país. A capital, Kiev, sofreu com manifestações violentas e confrontos de rua no final de janeiro, causando a deposição do presidente, Viktor Yanukovich, pelo Parlamento.

As tensões continuaram aumentando na região da Crimeia, para onde tropas russas e veículos blindados foram enviados em fevereiro. Em seguida, um referendo de secessão foi posteriormente realizado. Segundo a ONU, as autoridades da Crimeia anunciaram que cerca de 97% das pessoas que votaram o fizeram em favor da região se anexar à Rússia.

Após a realização do referendo a Crimeia declarou sua independência, possibilitando que o presidente russo, Vladimir Putin, assinasse um tratado no qual a Crimeia seria anexada pela Rússia, apesar de o governo ucraniano ter afirmado que nunca aceitará a independência ou a anexação da região.