Ataque à missão da ONU no estado de Jonglei, no Sudão do Sul, é ‘inaceitável e um crime de guerra’

Um número ainda não confirmado de civis foi morto e ferido por homens armados, que entraram no prédio disfarçados de manifestantes pacíficos que iriam apresentar uma petição.

Escola improvisada no campo da UNMISS em Bor, Estado de Jonglei, no Sudão do Sul. Foto: UNMISS/Mihad Abdalla

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenou nesta quinta-feira (17) o ataque contra civis e membros da força de paz que se encontravam na base da missão da ONU em Bor, a capital devastada pela guerra do estado de Jonglei, no Sudão do Sul. O ataque – que aconteceu esta manhã – começou quando uma multidão de civis armados forçou sua entrada no estabelecimento e abriu fogo contra as pessoas abrigadas no local.

“Este ataque a um local onde civis estão sendo protegidos pelas Nações Unidas é grave”, disse Ban, que lembrou a todas as partes que qualquer ataque contra as forças de paz da ONU é “inaceitável e constitui um crime de guerra”.

A Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS) informou que cerca de 5 mil pessoas deslocadas internamente estavam abrigadas em sua base em Bor no momento do ataque. Dezenas ficaram feridas e estão recebendo atendimento médico na clínica da ONU. A UNMISS disse também que dois capacetes-azuis sofreram ferimentos ao tentar repelir a multidão armada.

De acordo com a missão, um número ainda não confirmado de civis foi morto e ferido por homens armados, que entraram no prédio disfarçados de manifestantes pacíficos que pretendiam apresentar uma petição.

A UNMISS abriu as portas de oito de suas bases no país para aqueles que buscam refúgio dos ataques que assumem dimensões cada vez mais étnicas, à medida em que a luta continua. Quatro meses após o começo dos conflitos, a missão de paz da ONU já está abrigando cerca de 67 mil civis em suas bases.