‘Ataque a uma minoria é ataque a todas as comunidades’, alerta chefe da ONU sobre discriminação racial

Hoje, 21 de março, a ONU celebra o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial. Em meio à maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra, o chefe das Nações Unidas, Ban Ki-moon, alertou para o aumento do preconceito, da xenofobia e da violência contra minorias, migrantes e, particularmente, contra muçulmanos. Diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, destacou que discriminação racial “divide e mata”.

O jovem Abdu fugiu da Síria e chegou à Alemanha, onde frequenta o jardim de infância em Wächtersbach. Foto: ACNUR / G. Welters

O jovem Abdu fugiu da Síria e chegou à Alemanha, onde frequenta o jardim de infância em Wächtersbach. Foto: ACNUR / G. Welters

“Um ataque a uma comunidade de minorias é um ataque a todas as comunidades”. A mensagem é do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que nesta segunda-feira (21), Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, alertou para o recrudescimento do preconceito, da xenofobia e da violência contra minorias, em meio à atual crise de refugiados.

“Partidos políticos de extrema-direita estão fomentando divergências e mitos perigosos. Mesmo os partidos que já foram centristas endureceram suas perspectivas; países que já foram moderados estão vendo a xenofobia ascender agudamente; e vozes que já foram sóbrias exploraram medos em um eco perigoso dos capítulos mais sombrios do século passado”, disse o chefe da ONU.

Segundo o secretário-geral, dificuldades econômicas e oportunismo político estão provocando um surto de intolerância e hostilidade, que se manifestam em ataques contra refugiados, contra migrantes e, particularmente, contra muçulmanos. Ban Ki-moon citou crimes de ódio e a perfilagem racial como algumas das práticas nocivas a determinadas comunidades.

O dirigente máximo das Nações Unidas lembrou que, em 2001, a comunidade internacional adotou uma série de acordos importantes na Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Intolerância Relacionada, em Durban, na África do Sul.

Apesar dos compromissos e avanços obtidos desde então, a determinação coletiva para erradicar a discriminação tem sido minada por concessões e conveniências políticas.

“Vamos nos unir para garantir dignidade, justiça e desenvolvimento para todos”, apelou Ban Ki-moon.

UNESCO: crise dos refugiados é pretexto para fomentar preconceitos

No Dia Internacional, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, ressaltou que “a discriminação racial divide e mata”.

De acordo com a chefe da agência da ONU, a discriminação racial “impede a paz entre os Estados e ameaça a coesão social dentro de sociedades cada vez mais diversas”.

“Ideólogos sectários se baseiam no ódio ao outro para levar a cabo a limpeza étnica e cultural em larga escala. A escravidão com base na raça e na religião persiste e está aumentando em muitos países em todo o mundo”, alertou.

Bokova destacou ainda que “a crise histórica dos refugiados serve de pretexto para fomentar preconceitos e a rejeição dos outros”. “Mais do que nunca, precisamos, redobrar esforços em âmbito mundial para construir as defesas contra o racismo e a intolerância na mente de cada indivíduo e dentro das instituições”, disse.

“A discriminação racial, que pode ser brutal e abrangente, às vezes é incorporada em leis injustas. Pode também, de forma insidiosa e silenciosa, privar as pessoas de seus direitos básicos ao emprego, à habitação e a uma vida social”.

A dirigente reafirmou o compromisso da UNESCO em promover a cidadania, o entendimento mútuo e o diálogo intercultural. A agência e o Sistema ONU contam com várias iniciativas que buscam o fim do preconceito racial.

É o caso da Década Internacional de Afrodescendentes, que começou em 2015, e da Década Internacional para a Aproximação das Culturas, iniciada em 2013. Ambos os projetos foram descritos por Bokova como “plataformas poderosas” para enfrentar a discriminação.