Ataque em Nice é ‘golpe de extremistas no coração da humanidade’, diz chefe de Direitos Humanos

Palavras de condenação agora são como ‘folhas ao vento’ diante de ‘mais uma tempestade violenta’ da onda recente de atentados em diferentes partes do mundo, lamentou o chefe de Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein. Para o alto comissário, combate ao terror deve envolver luta contra ideologia que motivas fanáticos a ‘matar por matar’.

Outros dirigentes e chefes de agências da ONU também se pronunciaram nesta sexta-feira (15).

Mensagem em homenagem às vítimas do ataque terrorista em Nice. Foto: Parlamento Europeu / Pietro Naj-Oleari

Mensagem em homenagem às vítimas do ataque terrorista em Nice. Foto: Parlamento Europeu / Pietro Naj-Oleari

Dirigentes e chefes de agências da ONU criticaram nesta sexta-feira (15) o ataque terrorista que deixou ao menos 84 mortos, incluindo dez crianças e adolescentes, e mais de 200 feridos em Nice, na França, após um caminhão avançar sobre pessoas que comemoravam o 14 de julho ao longo da costa da cidade.

“Chocado” pelo atentado, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, disse que “o ataque assassino a pessoas comuns, usando um simples caminhão como arma mortal, é mais um golpe direcionado ao coração da humanidade por extremistas”.

“Há agora tantos ataques fatais — em Bagdá, Bruxelas, Dakka, Istambul, Medina, Orlando —, para citar apenas uma fração dos que ocorreram em meses recentes, que palavras de condenação soam como folhas murchas ao vento que vão rumo ao chão após mais uma tempestade violenta”, lamentou o dirigente.

Zeid destacou que “embora as razões que motivaram o assassino de ontem em Nice ainda estejam sendo definidas, em geral estamos (mais uma vez) diante de uma ideologia que parece criar uma cadeia infinita de fanáticos preparados para matar por matar”.

“Quando um meio de cometar assassinatos — sequestrar aviões, instalar bombas, se apropriar de rifles de assalto — se torna mais difícil, eles simplesmente encontram outro. E nossa resposta precisa ser cuidadosamente calculada e altamente sofisticada”, alertou o alto comissário.

“Não se trata simplesmente de aumentar a segurança. Trata-se de esvaziar a própria ideologia (por trás do ataque) até que ela recue para o lugar onde pertence, ou seja, lugar nenhum”, concluiu.

Descrevendo o episódio como “uma carnificina”, o presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Mogens Lykketoft, afirmou que esse “massacre de civis inocentes é mais um exemplo horrível do total desprezo de terroristas por qualquer forma de humanidade”.

“Nós temos visto vários desses assassinatos em massa pelo mundo nas últimas semanas e isso representa um chamado urgente por uma cooperação internacional contra o terror ainda mais forte”, enfatizou.

Lykketoft expressou suas condolências às famílias e amigos das vítimas e seu apoio ao governo e povo franceses, “que têm sofrido demais com tanta matança ultimamente”.

UNESCO também se manifestou

A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, enfatizou que o “ataque bárbaro nunca vai vencer nossa determinação compartilhada em incansavelmente buscar nossos esforços para prevenir o extremismo violento através da educação para a cidadania global e os direitos humanos, do respeito pela diversidade cultural e do poder da cultura enquanto uma força para a inclusão social”.

Já o secretário-geral da Organização Mundial do Turismo, Taleb Rifai, alertou que “diante dessas forças das trevas, temos mais do que nunca que permanecer unidos para combater essa ameaça global”.