De acordo com relatório da agência, no período de janeiro de 2014 a dezembro de 2015 ocorreram 594 ataques a serviços de saúde, resultando em 959 mortes e 1.561 feridos em 19 países com emergências.

Destroços de uma ambulância repetidamente atacada no Hospital de Bentiu, Sudão do Sul. Foto: OMS/G.Novelo
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou, em relatório divulgado no mês de maio, que ataques a serviços de saúde em situações de emergência ocorrem com frequência alarmante e são responsáveis por interromper assistências essenciais, colocando em perigo profissionais, privando pessoas de atenção médica urgente e prejudicando os objetivos de desenvolvimento da saúde em longo prazo.
De acordo com o relatório divulgado sobre as agressões, no período de janeiro de 2014 a dezembro de 2015 ocorreram 594 ataques a serviços de saúde, resultando em 959 mortes e 1.561 feridos em 19 países com emergências.
Desse contingente, mais da metade dos ataques foram contra instalações de saúde e 25% contra profissionais do setor. Ainda de acordo com o documento, 62% dos ataques foram relatados como sendo intencionais.
Segundo comunicado da OMS à imprensa, o número de ataques relatado no documento reflete o quanto a situação é trágica.
“Assistimos com frequência alarmante a falta de respeito à dignidade dos cuidados de saúde, ao direito à saúde e ao direito internacional humanitário: pacientes são atingidos em camas de hospitais, equipes médicas são ameaçadas, intimidadas ou atacadas e postos de saúdes são bombardeados”’, ressaltou.
A OMS destacou ainda que colaborará estreitamente com outras organizações para entender melhor o problema, chamar atenção para a situação e encontrar soluções que possam prevenir os ataques, protegendo as unidades de saúde, os trabalhadores, transportes e suprimentos, assim como garantindo a continuidade da assistência médica.

Hospital destruído pela coalizão da Arábia Saudita. Foto: MSF Iêmen
Segundo a agência de saúde, o relatório é a primeira tentativa de consolidar e analisar os dados disponíveis a partir de fontes abertas. Embora as informações não sejam muito abrangentes, os resultados lançam luz sobre a gravidade e frequência do problema.
O relatório ainda alerta, entre outras coisas, sobre a necessidade de documentação dos impactos à saúde e sobre a urgência de suporte intensificado de diversos setores à assistência à saúde universal.
Ataques a instalações médicas na Síria e no Iêmen
Desde o início do conflito na Síria, a organização ‘Médicos pelos Direitos Humanos’ (Physicians for Human Rights) documentou mais de 360 ataques em cerca de 250 instalações médicas, que foram responsáveis por matar mais de 730 profissionais de saúde.
Um padrão similar de destruição das instalações de saúde é observado no Iêmen, com mais de 600 instalações médicas fechadas devido a danos sofridos em meio ao conflito e devido à falta de suprimentos e trabalhadores médicos.