Ataques aéreos e bombardeios no Iêmen já feriram e causaram mortes de mais de 8 mil civis, diz ONU

As Nações Unidas registraram os atingidos pelos confrontos no país entre os dias 26 de março e 31 de dezembro de 2015. Cerca de 2.800 pessoas foram mortas e 5.324 feridas.

Vizinhança de Faj Attan em Sana’a, Iêmen, é constantemente atingida por bombardeios aéreos, o que levou a maioria da população a deixar a área. Foto: OCHA/Charlotte Cans

Vizinhança de Faj Attan em Sana’a, Iêmen, é constantemente atingida por bombardeios aéreos, o que levou a maioria da população a deixar a área. Foto: OCHA/Charlotte Cans

As perdas entre civis no Iêmen superaram a marca de 8.100, com aproximadamente 2.800 deles mortos, em meio a ataques aéreos da coalizão liderada pelos sauditas, bombardeios feitos por grupos Houthis, entre outros confrontos, de acordo com informações das Nações Unidas divulgadas nesta terça-feira (5).

As vítimas civis registradas entre os dias 26 de março e 31 de dezembro de 2015 alcançaram a cifra de 8.119 pessoas; 2.795 foram mortas e 5.324, feridas. Entre os mortos, ao menos 62 foram alvos de bombas aéreas atribuídas às forças de coalizão em dezembro, mais do que o dobro do número de vítimas fatais de novembro.

“Bombardeios aéreos continuaram no ano novo, com cerca de 11 ataques na capital de Saná no domingo e segunda-feira (3 e 4 de janeiro), e mais bombardeios aéreos foram relatados como lançados nas primeiras horas da manhã”, afirmou o porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Rupert Colville.

O porta-voz do ACNUDH ressaltou informações “alarmantes” sobre lançamentos de bombas de fragmentação feitos por forças de coalizão na província Hajjah, além de outras cidades. Esse tipo de armamento, uma vez acionado, solta uma grande quantidade de projéteis, provocando um enorme número de vítimas em uma área grande.

Segundo Colville, a ONU tem mostrado esforços para acabar com os confrontos, mas este empenho tem sido bloqueado por violações de acordos de cessar-fogo já antes estabelecidos. Pensando neste objetivo, em dezembro, o enviado especial das Nações Unidas, Ismail Ould Cheikh Ahmed, adiou os diálogos de paz até meados de janeiro a fim de permitir consultas bilaterais dentro do país para alcançar um novo cessar-fogo.

O porta-voz do ACNUDH deu voz à preocupação popular em relação à cidade de Taiz, que tem sido lugar de constantes confrontos violentos há mais de oito meses. O controle rigoroso de todos os pontos de entrada por parte dos comitês populares afiliados ao grupo Houthi tem limitado o acesso a itens essenciais, como comida, e tornado as condições difíceis para a população, afirma Colville.

Ele também destacou que a maior instalação de saúde em funcionamento na cidade, o hospital de Al-Rawdah, está recusando pacientes devido à deterioração da área de saúde em Taiz.