Ataques contra locais de votação em Kosovo são ‘totalmente deploráveis’, diz enviado da ONU

Região teve eleições municipais neste final de semana. O país declarou independência da Sérvia, que no entanto não reconheceu a emancipação.

Representante especial da ONU para o Kosovo, Farid Zarif. Foto: ONU/Rick Bajornas

Representante especial da ONU para o Kosovo, Farid Zarif. Foto: ONU/Rick Bajornas

Um funcionário das Nações Unidas condenou fortemente neste domingo (3) os ataques contra locais de votação no norte do Kosovo, onde ocorriam eleições municipais, e pediu às autoridades locais e internacionais que estabeleçam a ordem na área.

“Os ataques desta noite contra locais de votação no norte do Kosovo são totalmente deploráveis”, disse o representante especial do secretário-geral para o Kosovo, Farid Zarif.

Na sequência da recente onda de violência durante o processo eleitoral, vários locais de votação no norte do Kosovo foram atacados.

Zarif condenou o que classificou como “ações não civilizadas e criminosas”, observando que elas pretendiam minar o processo eleitoral ao tentar impedir a população de exercer o seu direito democrático de votar.

“Esses atos não têm lugar nas sociedades civilizadas e democráticas e os seus autores devem ser urgentemente responsabilizados”, acrescentou o representante especial.

A missão da ONU no Kosovo – chefiada por Zarif – já havia condenado fortemente os ataques em pelo menos dois dos mais de 8 mil candidatos que disputam cargos municipais.

O Kosovo declarou independência da Sérvia em fevereiro de 2008, após anos de tensões étnicas, mas a Sérvia não reconheceu a emancipação. A União Europeia tem facilitado o diálogo entre as partes sobre uma série de questões práticas.

As tensões entre sérvios e albaneses étnicos inflamaram-se ao longo dos anos, especialmente no norte do Kosovo – que tem uma maioria étnica sérvia, ao contrário do resto do Kosovo, onde os albaneses étnicos são a maioria –, provocando preocupações por parte de funcionários da ONU.

O acordo para a realização das eleições de novembro, com a facilitação da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), está entre as disposições do histórico acordo de 19 de abril deste ano, negociado em Bruxelas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, havia pedido “respeito pela diversidade” e “ampla participação” na semana passada. Em um comunicado emitido por seu porta-voz, Ban apelou a todos os interessados “a manter os mais altos padrões democráticos e mostrar o pleno respeito pela diversidade de pontos de vista da população”.