Ataques de grupo rebelde contra civis crescem em Uganda, alerta ACNUR

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) alertou semana passada para o aumento tanto da frequência quanto da brutalidade dos ataques contra civis realizados pelo Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês), grupo rebelde de Uganda que atua na República Democrática do Congo (RDC), no Sudão e na República Centro-Africana (RCA).

Combatentes do exército rebelde ugandense LRA. O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) alertou semana passada para o aumento tanto da frequência quanto da brutalidade dos ataques contra civis realizados pelo Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês), grupo rebelde de Uganda que atua na República Democrática do Congo (RDC), no Sudão e na República Centro-Africana (RCA).

Entre os dias 20 de março e 6 de maio, 36 pessoas morreram depois de pelo menos 10 invasões realizadas pelo grupo em Haut-Mbomou, província no leste da RCA. O ACNUR está trabalhando para levar água, alimentos, cobertores e outros mantimentos para as cerca de 10 mil pessoas que foram desalojadas. Mais de 400 fugiram cruzando a fronteira para a RDC.

Segundo a porta-voz do ACNUR, Melissa Fleming, o exército rebelde ataca, muitas vezes, pequenas localidades remotas e desprotegidas, com poucas estradas e de difícil comunicação, o que faz com que suas atrocidades permaneçam desconhecidas por longos períodos.

O centro de atuação do grupo é em Haut-Uele e Bas-Uele, distritos da Província Oriental da República Democrática do Congo. Desde dezembro de 2008, mais de 1.800 pessoas foram mortas, 2.500 sequestradas e 280 mil forçadas a fugir da violência, que também fez com que 20 mil congoleses procurassem refúgio no Sudão e na República Centro-Africana.

Durante uma visita à RCA no início deste mês, o Subsecretário Geral da ONU para Assuntos Humanitários (OCHA), John Holmes, ouviu em primeira mão depoimentos de sobreviventes da violência do LRA, inclusive o de uma mulher que havia tido seus lábios e orelhas cortados dois dias antes. “Isso é inaceitável. Precisamos de uma solução rápida”, afirmou Holmes.

O LRA, conhecido por sequestrar crianças e tranformá-las em crianças-soldado e escravos sexuais, foi formado em Uganda em 1986. Em 1993 montou sua primeira base no Sudão, espalhando-se para a RDC em 2005 e posteriormente para a RCA, em 2009.