Ativista surdo destaca importância das línguas de sinais em dia especial da ONU

Nyle DiMarco é apenas um estrangeiro se comunicando em uma língua diferente. É assim que o ator, modelo e ativista se apresenta para aqueles que nunca conheceram uma pessoa surda.

DiMarco, que conquistou fama após vencer o reality show norte-americano America’s Next Top Model, é um ativista que defende o ensino de língua de sinais para crianças. O jovem de 29 anos cresceu em uma família de surdos e tem mais de 25 parentes com algum tipo de deficiência auditiva.

Nyle DiMarco, ativista surdo, modelo e ator, em discurso na 67ª edição da Conferência da ONU de organizações não governamentais (ONG), do Departamento de Informação Pública (DPI) das Nações Unidas. Foto: ONU/Loey Felipe

Nyle DiMarco, ativista surdo, modelo e ator, em discurso na 67ª edição da Conferência da ONU de organizações não governamentais (ONG), do Departamento de Informação Pública (DPI) das Nações Unidas. Foto: ONU/Loey Felipe

Nyle DiMarco é apenas um estrangeiro se comunicando em uma língua diferente. É assim que o ator, modelo e ativista se apresenta para aqueles que nunca conheceram uma pessoa surda

DiMarco, que conquistou fama após vencer o reality show norte-americano America’s Next Top Model, é um ativista que defende o ensino de língua de sinais para crianças. O jovem de 29 anos cresceu em uma família de surdos e tem mais de 25 parentes com algum tipo de deficiência auditiva.

“Eu defendo o ensino de língua de sinais na educação infantil porque, quando cresci, minha vida foi muito privilegiada. Meus pais surdos sabiam exatamente como criar um filho surdo”, disse DiMarco durante uma visita à sede das Nações Unidas para um evento relacionado aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A ONU comemorou seu primeiro Dia Internacional das Línguas de Sinais no início da Semana Internacional do Surdo.

A Assembleia Geral selecionou o dia 23 de setembro para coincidir com a data em que a Federação Mundial de Surdos (em inglês, WFD) foi fundada, em 1951. A WFD consiste em 135 associações nacionais de surdos e busca defender seus direitos humanos.

DiMarco frequentou instituições educacionais para surdos, estudando em uma universidade para deficientes auditivos. Ter acesso à educação quando crescia, de acordo com DiMarco, o permitiu “definir o que ele era”. O modelo praticava esportes e se envolveu em diferentes organizações.

O ativista é um dos 72 milhões de surdos em todo o mundo, dos quais apenas 2% tem acesso à educação formal.

“Como pode ser esperado que eles atinjam sucesso em suas vidas se comparado com alguém que tenha os privilégios que eu tive?”, declarou.

Ele destacou que em alguns países as línguas de sinais são consideradas “apenas gestos”, o que resulta em crianças surdas sendo privadas de uma língua e incapazes de definir suas próprias vidas.