Aumento da violência das milícias no Burundi preocupa chefe de direitos humanos da ONU

‘Agora, mais do que nunca, é essencial que as autoridades do Burundi mostrem seu compromisso com a paz’, disse Zeid Ra’ad Al Hussein.

Gervais, 51 anos, com sua esposa, quatro filhos e dois sobrinhos, que atravessaram remando o lago Cahoha, no Norte do Burundi, para Ruanda. Foto: UNICEF Burundi / Y. Nijimbere / 2015

Gervais, 51 anos, com sua esposa, quatro filhos e dois sobrinhos, que atravessaram remando o lago Cahoha, no Norte do Burundi, para Ruanda. Foto: UNICEF Burundi / Y. Nijimbere / 2015

Profundamente preocupado com as ações cada vez mais violentas e ameaçadoras de uma milícia pró-governo no Burundi, o alto comissário para os direitos humanos das Nações Unidas, Zeid Ra’ad Al Hussein, instou nesta terça-feira (9) as autoridades nacionais a tomar medidas imediatas e concretas para controlá-la.

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) recebeu relatos de 47 refugiados burundianos que fugiram para Ruanda e República Democrática do Congo (RDC), sobre graves violações que teriam sido cometidas pela milícia ligada ao movimento pró-governo conhecida como a Imbonerakure, palavra em Kirundi que significa “aqueles que veem longe”.

“Se as autoridades dos Estados estão realmente em conluio com uma milícia violenta e ilegal desta forma, eles estão jogando com o futuro do país da maneira mais irresponsável que se possa imaginar”, disse o alto comissário, advertindo que tais violações poderia desequilibrar uma situação já extremamente tensa para além do seu limite.

“Agora, mais do que nunca, é essencial que as autoridades do Burundi mostrem seu compromisso com a paz, claramente dissociando-se dos seus adeptos violentos e garantindo a responsabilização por qualquer crime ou violação dos direitos humanos que tenham cometido”.