Aumento de casos de sarampo nos EUA e Brasil levam OMS a lançar alerta para a região

Os países do continente americano eram considerados livres de casos de contágio. No entanto, desde o final de 2014, 147 casos já foram registrados, 21 deles no Brasil.

Campanha de vacinação em Belo Horizonte. Foto: Portal PBH/Marina Jordá

Campanha de vacinação em Belo Horizonte. Foto: Portal PBH/Marina Jordá

Os recentes surtos de sarampo nos Estados Unidos e no Brasil sugerem que os índices de imunização nestes países caíram abaixo dos níveis necessários para prevenir a sua propagação para o resto das Américas, alertaram as Nações Unidas esta semana.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), com sede em Washington, confirmaram nesta terça-feira (10) a confirmação de 147 casos de sarampo em quatro países das Américas neste ano, até o dia 8 de fevereiro.

“Desse total, 121 casos foram nos Estados Unidos, principalmente ligados a um surto que começou na Disneylândia, na Califórnia, em dezembro passado”, informou a OPAS/OMS, acrescentando que o único caso registrado no México também foi vinculado ao contágio nos Estados Unidos. Dos casos restantes, 21 foram no Brasil e quatro no Canadá.

“Graças aos altos níveis de imunização, as Américas têm estado no caminho certo por mais de uma década para ser formalmente declarada livre do sarampo”, disse o chefe do programa de imunização da OPAS/OMS, Cuauhtemoc Ruiz. “A manutenção de altos níveis de cobertura de vacinação é fundamental para prevenir e evitar surtos e para proteger nossas populações da ameaça constante de casos importados.”

Desde 2002, o sarampo era considerado como uma doença eliminada das Américas, devido à ausência da sua transmissão endêmica. Esse resultado ocorreu graças aos altos níveis de imunização, através de programas e campanhas de vacinação contínuas e massivas, como a Semana de Vacinação das Américas, que a OPAS/OMS têm liderado nos últimos 13 anos.

Agora, a eliminação do sarampo na região “enfrenta grandes desafios, com várias importações em curso do sarampo por alguns países”, afirmou a OPAS/OMS, através do alerta epidemiológico distribuído esta semana para os países-membros em toda a região.

O alerta insta os países a fortalecer as atividades de vigilância do sarampo e a “tomar medidas adequadas para proteger os residentes nas Américas contra o sarampo e a rubéola”.

“Os países das Américas têm relatado casos importados de outras regiões a cada ano durante a última década, mas até recentemente eles não geravam surtos significativos”, disse Ruiz. “Os surtos atuais apontam para falhas na imunização que podem permitir que o sarampo e outras doenças evitáveis por vacinação ganhem força novamente e se espalhem em nosso hemisfério.”

A vacina contra sarampo tem sido usada por mais de 50 anos e já provou ser segura e eficaz. Globalmente, a vacinação impediu um número estimado de 15,6 milhões de mortes entre 2000 e 2013.