Aumento de conflitos e falta de fundos comprometem ajuda humanitária, afirma chefe do ACNUR

O alto comissário da ONU para os refugiados, António Guterres, destacou que as agências da ONU contam com menos de 50% dos fundos necessários para levar ajuda àqueles afetados por conflitos e desastres naturais.

O alto comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres, visita um acampamento de refugiados no Quênia. Foto: ACNUR/B. Loyseau

O alto comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres, visita um acampamento de refugiados no Quênia. Foto: ACNUR/B. Loyseau

Em encontro do comitê executivo do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), o chefe da agência, António Guterres, delineou os grandes desafios que as organizações humanitárias enfrentam atualmente para poder atender ao crescente número de refugiados e deslocados internos. Além de pedir mais fundos para poder financiar as operações de ajuda, Guterres demandou uma resposta política aos conflitos antigos e emergentes.

Há dez anos, quando assumiu o posto de alto comissário do ACNUR, o mundo registrava 38 milhões de refugiados, deslocados internos e requerentes de asilo e este número declinava, afirmou Guterres. No entanto, hoje esta cifra alcançou mais de 60 milhões e as agências da ONU contam apenas com 42% dos fundos necessários para financiar mais de 33 apelos de emergência destinados a ajudar 82 milhões de pessoas em diferentes regiões do mundo.

Ele destacou que a fragilidade do planeta, a propagação dos conflitos de maneira imprescindível e o aumento de sua complexidade como fatores que pioraram as ações e resposta de agentes humanitários. “Uma das consequências tem sido a diminuição do espaço humanitário, que fez com que o trabalho de organizações como o ACNUR muito mais difícil e perigoso. As grandes crises inter-relacionadas na Síria e Iraque, que arrancou de seus lares mais de 15 milhões de pessoas, é um exemplo poderoso desta evolução – mas não o único.”

O alto comissário sublinhou que muitos dos novos e antigos deslocamentos não ganharam visibilidade no mundo até a chegada maciça e morte de refugiados no mar Mediterrâneo nos últimos meses. Apesar do recebimento de 500 mil refugiados parecer excessivo, Guterres insistiu que esse fluxo é administrável em um continente que conta com mais de 500 milhões de pessoas. Para ele, a realocação de 160 mil requerentes de asilo mostra que a União Europeia segue o rumo certo.

O alto comissário também pediu uma nova solução para o sistema de financiamento de crises humanitárias, estreitando a lacuna entre assistência de emergência e desenvolvimento dos países. Guterres, que finalizará o seu mandato no final do ano, também mencionou a Cúpula Mundial Humanitária, que acontecerá em maio de 2016, como uma oportunidade para repensar o modelo ocidental de cooperação e criar uma aliança humanitária mais universal que possibilite a manutenção das operações de ajuda.