Para Diretora-Geral da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, o grande problema não é a falta de políticas para tratar dessa questão, mas sim a dificuldade de colocar estas políticas em prática.
Para Diretora-Geral da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, o grande problema não é a falta de políticas para tratar dessa questão, mas sim a dificuldade de colocar estas políticas em prática.
Começou nesta quarta-feira (19/10), no Rio de Janeiro, a Conferência Mundial sobre Determinantes Sociais da Saúde, que até a próxima sexta-feira (21) vai discutir a relação entre fatores socioeconômicos e a melhoria dos sistemas de saúde em todo o mundo. O Presidente da Conferência, o Ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, e a Diretora-Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan, abriram o evento oficial, juntamento com o Governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, e o Prefeito da cidade, Eduardo Paes. O Vice-Presidente do Brasil, Michel Temer, que representou a Presidente Dilma Rousseff, também participou da sessão inaugural, declarando que “o Governo brasileiro está orgulhoso em sediar o encontro”.
Em sua fala, Alexandre Padilha afirmou que “a saúde é um direito de todos os cidadãos”. Ele citou programas do Governo brasileiro que são referência mundial, como o Sistema Único de Saúde (SUS), e afirmou que o desafio de oferecer saúde pública de qualidade está na própria Constituição do país. O Ministro argumentou que a melhoria da saúde está ligada à melhoria da equidade. Padilha afirmou que a expansão do acesso aos tratamentos e medicamentos deve ser uma questão de interesse exclusivo da saúde, e não ser usada por outros com interesse apenas político. O Ministro disse que “a saúde dos povos é essencial para a paz mundial” e reafirmou o apoio do Brasil ao trabalho e à reforma da OMS. Ouça o áudio abaixo:
[audio:http://e25.d32.myftpupload.com/img/audiopadilha.mp3%5DA Diretora-Geral da OMS comentou a importância de ser realizada a Conferência no ano de 2011, quando a Carta de Ottawa – que defende a promoção da saúde como fator fundamental de melhoria da qualidade de vida – completa 25 anos. Chan destacou o aumento das Doenças Não Transmissíveis como sendo o principal desafio para a saúde pública hoje. Segundo ela, o grande problema não é a falta de políticas para tratar dessa questão, mas sim a dificuldade de colocar estas políticas em prática.
Ela afirmou que a prevenção é ainda o melhor recurso para combater as Doenças Não Transmissíveis, que causam sérios prejuízos tanto para economia global como para as pessoas que têm altas despesas com medicamentos. Outro agravante, segundo a Diretora-Geral, é a falta de vontade política para tratar do assunto. “Os governos têm que cuidar da saúde das pessoas, e não das corporações”, acrescentou.
A sessão de abertura foi seguida por duas mesas redondas de alto nível, moderadas pela jornalista da BBC World, Zeinab Badawi. O encontro reuniu representantes de agências da ONU, professores universitários e representantes de governos, que partilharam experiências sobre trabalhos e pesquisas locais, além de comentarem sobre os desafios para a melhoria da saúde.
Evento paralelo discute lições do movimento contra AIDS
Também nesta quarta-feira foi realizado um evento que precedeu a abertura oficial da Conferência para discutir as lições adquiridas com o movimento da luta contra a AIDS. Organizado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) em parceria com o Governo brasileiro, o painel também fez o anúncio de que o jogador de futebol brasileiro, Ronaldinho Gaúcho, é o novo Embaixador da Boa Vontade do UNAIDS.
Mediada pelo Chefe do Escritório Executivo do UNAIDS, Luis Loures, o painel teve como palestrantes o Secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa – representando o Ministro da Saúde do Brasil – e o Diretor Executivo do UNAIDS, Michél Sidibé. O debate também contou com a presença da Diretora Executiva do Centro para o Desenvolvimento de Soluções Políticas da Nigéria, Amina Ibrahinm, da Professora da USP Vera Paiva e do Ministro de Saúde da África do Sul, Aaron Motsoaledi.
Barbosa comentou o fato de o Brasil ser o primeiro país não desenvolvido que buscou equilibrar ações de prevenção, alcançando as pessoas mais economicamente vulneráveis, e afirmou que o acesso aos medicamentos é essencial para a resposta à doença. Ele afirmou ainda que o papel político dos países é essencial para tratar da questão da saúde como uma questão essencial, que não deve ser deixada de lado. Ouça o áudio abaixo:
[audio:http://e25.d32.myftpupload.com/img/audiobarbosa.mp3%5D“Depois de 30 anos de epidemia, nós temos, de alguma forma, que tirar a AIDS do isolamento”, afirmou Luis Lores, acrescentando que a experiência da resposta a AIDS continua fundamentalmente no envolvimento central das pessoas que vivem com o vírus. Ele argumentou que há uma relação recíproca entre o painel e a Conferência, afirmando que a Conferência vai ajudar a colocar os determinantes sociais e as pessoas no centro das discussões, e que a experiência com a AIDS pode ajudar no debate geral sobre as determinantes sociais como um todo. Ouça o áudio abaixo:
[audio:http://e25.d32.myftpupload.com/img/audiolores.mp3%5DO Diretor Executivo do UNAIDS também ressaltou a mudança de foco nas conversas sobre a AIDS hoje, que não está restrito apenas à doença, mas é também voltado às pessoas. Segundo ele, a AIDS gerou um debate mais amplo sobre os determinantes sociais. “Não é sobre a AIDS apenas, mas como a sociedade pode ser mais inclusiva, como melhorar a saúde (…) Não é apenas lidar com a doença, mas como transformar a sociedade.”